<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388</id><updated>2012-02-17T00:22:37.274-02:00</updated><category term='republicação'/><category term='outras historias'/><category term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>Animaizinhos Toscos</title><subtitle type='html'>tentativa de praticar a escrita a partir da criação de personagens antropomorfizados (ou não) que precisam encarar o tédio do dia-a-dia</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-8343950417217948628</id><published>2009-03-08T18:31:00.000-03:00</published><updated>2009-03-08T18:32:18.292-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>O hipopotamozinho e o caderno 3G</title><content type='html'>O hipopotamozinho, filho de &lt;a href=http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/firula-uma-grande-hipoptama.html&gt;Firula, a hipopótama&lt;/a&gt;, adorava ir para a escola. Para ele, ir para a aula era o momento mais legal do dia. Tanto que ele odiava os finais de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aulas eram ministradas no pântano ao lado da lagoa principal da floresta. Johnny – como era chamada o hipopotamozinho – morava na lagoa, então ir para a aula nada mais significava que ir até uma margem predeterminada do lago e ficar ali por algumas horas, junto a outros animaizinhos, recebendo ensinamentos da sábia coruja. Na floresta não tinha essas frescuras de séries e classes. Todos os filhotes estudavam juntos. Às vezes a coruja convidava outros animaizinhos para dar aulas especiais, mas na maior parte do tempo predominava a visão de mundo da coruja, acumulada em anos e anos de vôos e observações. Era muito esperta essa coruja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora já fizesse mais de ano que Johnny começou a freqüentar a escola, desde o começo ele sempre usava o mesmo caderno. Johnny se apegou tanto ao caderno – cuja capa trazia a imagem de um golfinho – que ele tomava cuidado para escrever com letra miudinha, e aproveitava todos os espaços de cada folha. Com isso, esperava poder fazer seu caderno durar durante todo o período escolar. Além do mais, conseguir um caderno no meio da floresta era tarefa complicada. Esse caderninho em específico fora achado no lago, pelo próprio Johnny, logo após a mochila de um humaninho ter aparecido boiando ali pelo lago. Johnny ignora o que tenha ocorrido com o menino. Mas não resistiu e tomou o caderno para si. Era lindo, e o golfinho da capa não parava de sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, durante uma aula particularmente interessante, sobre territórios distantes sobre os quais Johnny nunca tinha ouvido falar – mas a coruja contava ter estado por lá – o hipopotamozinho procurava tomar nota de tudo o que era dito. Com letras pequenas, e tudo esmagadinho, claro.  A aula era sobre a Patagônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, de repente, ao virar a página, Johnny se deparou com algo que nunca tinha visto. Ao invés das pautas, como havia nas demais páginas, havia uma página lisa, totalmente em branco. Ao tentar escrever, o que ele escrevia aparecia na página, mas de um jeito bizarro. Aí ele notou um quadradinho lá em cima, como se fosse uma caixa de texto. Instintivamente, escreveu “Patagônia” ali em cima. Em instantes – e para seu espanto – várias fotos e imagens começaram a aparecer abaixo do quadradinho, enchendo a página com coisas que por enquanto ele só podia imaginar a partir do relato da coruja. Na base da página, ele viu um mapa. Ao colocar o lápis sobre o mapa, ele se expandiu e tomou conta da tela. O mapa mostrava a Patagônia. Com um pouco de esforço, ele pôde estimar a distância que estava da Patagônia a partir do mapa. Não demorou muito para que Johnny esquecesse da aula e passasse a prestar atenção apenas em seu caderno. Ele digitou o nome de sua floresta na caixa de textos, e viu fotos de sua floresta. Ao abrir uma foto, entretanto, viu que esta era acompanhada por textos. Ao ler um dos textos ficou profundamente triste ao saber que o local era conhecido pela “caça a perdizes” – ele possuía vários colegas perdizezinhos, e sentiu pena por eles. Triste, Johnny voltou para a Patagônia, achou uma foto bonita e passou o lápis em cima dela. Diferentemente do que sua professora coruja estava contando, na Patagônia também caçavam e matavam animaizinhos. Ele viu a foto de um animal ferido, e lágrimas escorreram de seus olhos. Johnny estava descobrindo a realidade do mundo, mesmo sem sair de seu lago. Seu caderno – ou aquela página especial de seu velho caderno desgastado e molhado – permitia-lhe ter acesso a conhecimentos muito além do que poderia ficar sabendo a partir do relato dos que estavam a sua volta. Seu caderno, tal qual a tecnologia 3G, o permitiu conectar a partir de um lago, no meio de uma floresta, com o restante do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-8343950417217948628?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/8343950417217948628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=8343950417217948628&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/8343950417217948628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/8343950417217948628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2009/03/o-hipopotamozinho-e-o-caderno-3g.html' title='O hipopotamozinho e o caderno 3G'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-7774863297351258564</id><published>2008-02-12T20:55:00.001-02:00</published><updated>2008-02-12T20:55:43.241-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outras historias'/><title type='text'>O monstro do conteúdo original</title><content type='html'>O monstro do conteúdo original é aquele ser mitológico/imaginário/alucinógeno/consensual (como preferir) que nos persegue até quando olhamos por debaixo da cama. Nas férias, é assim: ele sempre ataca. O monstro do conteúdo original está em todos os lugares. Tentamos escrever sobre alguma coisa, e percebemos que estamos apenas repetindo o que já foi dito, feito macaco. Tentamos comentar sobre o que já foi dito, e os comentários não acrescentam em nada, apenas reverberam argumentos. Em situações de família, ele também ataca. É como se estivéssemos condenados a (re)contar sempre as mesmas histórias, a rir sempre das mesmas piadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monstro se alimenta e cresce, em efeito bola de neve, de maneira incontrolável. Abro o Word, e lá está ele. Parto para o Bloco de Notas, à procura de algo menos high tech, e ele também aparece. Tento escapar absolutamente da tecnologia, mas mesmo com um bloquinho de papel e uma caneta, lá está ele, imenso, ainda maior, boquiaberto, pronto para de novo me atacar. Mesmo que use um papiro e dois pauzinhos, ele ataca, rápido e certeiro. Tento contar histórias para mim mesma, eu e minha imaginação, mas não encontro finais felizes. Os personagens imaginários estão condenados a lutar, lutar, lutar, sem nunca vencer – andam, andam, andam, e não chegam a lugar algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes o monstro quer ser irônico e tenta pregar peças na gente. Ele nos deixa criar uma, duas linhas de texto. Quando estamos prestes a nos entusiasmar por ter de volta a criatividade, ele volta a atacar, deixando-nos com um arquivo de criações inacabadas, à espera de novos sopros de criatividade, capazes de requentá-los para seguirem em frente e se tornarem idéias concretas, com final. Há os posts que entram no ciclo da reedição sem fim, e, dos que escapam, quase todos são textos que não saem do nível meramente auto-referencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior mesmo não é a inevitabilidade do ataque do monstro. O pior é que desde o princípio já sabemos como se livrar dele. O primeiro passo para a cura é reconhecer que nem tudo é original. Ou melhor, reconhecer que simplesmente adicionar a nossa perspectiva aos fatos já torna qualquer narrativa original. O original não está em criar algo completamente novo a cada dia. O original pode estar em uma singela nova recombinação de elementos já existentes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-7774863297351258564?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/7774863297351258564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=7774863297351258564&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/7774863297351258564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/7774863297351258564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2008/02/o-monstro-do-contedo-original.html' title='O monstro do conteúdo original'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-2358168762997447281</id><published>2008-02-08T21:19:00.000-02:00</published><updated>2008-02-12T20:56:08.708-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outras historias'/><title type='text'>Refém da autoconsciência</title><content type='html'>- Será que na fica muito idiota postar isto no blog?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, ninguém vai dar bola, vá em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que, sei lá, tipo assim... Sou eu mesma, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas e não é você, sempre, em seu blog?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Cada post do blog acaba revelando, inevitavelmente, uma faceta de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, qual o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, mas não é a mesma coisa. Os outros posts não são assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim... como é que vou explicar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual o problema, hein? Não é legal poder postar o diálogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que é justamente esse o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poxa, diálogos são tão legais. E não ficam restritos à literatura. Podem aparecer também – por que não? – em posts de blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, mas os diálogos ficcionais são um pouquinho menos assustadores do que o diálogo com uma autoconsciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está com vergonha de mim (que, na verdade, sou você mesma)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, longe disso. É só que... não parece nada normal travar um diálogo hipotético consigo mesma, e ainda mais postar isso, em um blog. O que os outros irão pensar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, bobagem isso. Você anda meio paranóica, Gabriela. Pensando demais, agindo de menos. Aja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas... não é tão simples. Há vários fatores a se considerar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É simples, sim. Larga de frescura e posta logo isso. Vai em frente, arrisca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei não. E olha bem quem está me aconselhando a fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, quem melhor para lhe dar um conselho do que você mesma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Igual, igual...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa de ponderações e posta logo, senão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senão o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senão vou assumir o controle e passar a agir por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. Deixa que eu controlo as coisas por aqui, ok? Você só cumpre o seu papel de permitir que haja diálogo comigo mesma – o que possibilita a ponderação de argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E, na qualidade de ponderadora, exijo que você poste logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, lá vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Logo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, ok. Foi. Deve ser algo inédito. Um post publicado a pedido da autoconsciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-2358168762997447281?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/2358168762997447281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=2358168762997447281&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/2358168762997447281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/2358168762997447281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2008/02/refm-da-autoconscincia.html' title='Refém da autoconsciência'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-5952085752519375826</id><published>2007-11-29T14:25:00.001-02:00</published><updated>2007-11-29T14:34:50.435-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>Girafa Acadêmica e Camelo Israelense Terrorista como colegas de faculdade</title><content type='html'>Muita gente sabe da birra histórica entre a Girafa Acadêmica e o Elefante Analfabeto. Mas muito pouca gente conhece o fato de que outro personagem chave desta luta clássica, o Camelo Israelense Terrorista, também já se envolveu em algum ponto de sua vida acadêmica com a Girafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Elefante e a Girafa foram colegas na pré-escola. Já é fato notório o que aconteceu na cena no parquinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a Girafa Acadêmica e o Camelo Israelense Terrorista foram colegas quando estavam na universidade, ainda durante a graduação. Ambos tiveram aulas na mesma academia, e inclusive na mesma sala de aula. Eram do mesmo ano, embora não tivessem exatamente a mesma idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Girafa e o Camelo se formaram na mesma turma, e seus nomes encontram-se próximos um ao outro no quadro de formatura (na distância suficiente entre nomes com C e nomes com G). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em aula, os dois eram considerados os mais espertos da turma. Entretanto, ambos possuíam perfis acadêmicos diferenciados. A Girafa era mais voltada para o estudo e a pesquisa, com o objetivo de tirar boas notas e obter um bom desempenho (ou seja, estimular o espírito competitivo na academia). Já o Camelo era um notório preguiçoso. Embora fosse bastante inteligente para articular estratégias interessantíssimas, ele não tinha muita paciência para estudar o suficiente para as provas de matérias de que não gostasse muito, e, como conseqüência, ele só tirava notas altas em provas cujos assuntos lhe interessavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formas diferentes de encarar os estudos também levaram a uma diferenciação no caminho que ambos tomaram em uma etapa posterior em suas vidas. Hoje, sabe-se que o Camelo é um dos fortes aliados da IEA – de fato, dada à notória astúcia do Camelo, a ele atribui-se o papel de ser a cabeça pensante do grupo, cabendo ao Elefante apenas ganhar a fama pela histórica birra. Já a Girafa, como todo mundo sabe, é a líder de seu próprio grupo (o da Girafa Acadêmica), e até hoje milita em prol do espírito acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a Girafa, só se chega ao conhecimento mediante um esforço intelectual, mínimo que seja. Não se tem como apreender as coisas sem que se faça um processo de conhecimento em ciclo completo. A Girafa também criou maneiras de medir esses esforços – conhecidas como avaliações nas instituições de ensino. A justificativa é simples: não haveria como estimular o espírito de competição acadêmica não houvesse parâmetros mínimos para auferir o desempenho dos alunos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-5952085752519375826?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/5952085752519375826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=5952085752519375826&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/5952085752519375826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/5952085752519375826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/11/girafa-acadmica-e-camelo-israelense.html' title='Girafa Acadêmica e Camelo Israelense Terrorista como colegas de faculdade'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-3297400234985688821</id><published>2007-11-29T14:24:00.000-02:00</published><updated>2007-11-29T14:34:50.436-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>A cena no parquinho: a gênese da disputa entre o Elefante Analfabeto e a Girafa Acadêmica</title><content type='html'>Embora muito se saiba sobre a clássica disputa entre a Girafa Acadêmica e o Elefante Analfabeto, muito pouco ou quase nada se sabe a respeito das origens dessa verdadeira luta entre o Bel e o Mal. A disputa tem razão de ser. O motivo, entretanto, a primeira vista parece ridiculamente banal. Vejamos a história, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou quando a Girafa Acadêmica e o Elefante Analfabeto eram colegas na pré-escola. Os dois estavam matriculados na escola dos animaizinhos toscos. A título de curiosidade, diga-se de passagem, naquela época, tanto o Elefante quanto a Girafa ainda eram analfabetos, na medida em que ainda se encontravam nos primórdios de seus anos de estudos. Eles passavam tardes e tardes desenhando e pintando em conjunto, na salinha de aula ao final do corredor da Escolinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, após mergulharem suas patas em tintas coloridas e distribuírem impressões digitais aleatórias sobre um largo e amplo papel pardo, a Girafa, o Elefante, e os demais animaizinhos (particularmente, havia a Lontra, o Leopardo e o Tigre, assim como a Pomba, a Marmota e o Leão, todos ainda filhotinhos) foram ao parquinho brincar ao sol, acompanhadas da professora Coruja. Naquele tempo, tardes de sol eram raras, e por isso os animais apreciavam tanto as brincadeiras ao ar livre. Também era nessas situações que eles tinham a oportunidade de interagir com os demais. O Elefante adorava particularmente essas situações, visto que os elefantes, em geral, são animais carrancudos e solitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia em específico, em um tempo tão distante e remoto que chega a ser difícil precisar (a disputa entre o Elefante e a Girafa, além de clássica, é também histórica), a Girafa e o Elefante decidiram brincar no escorregador. Ora ia primeiro o Elefante, e depois a Girafa, ora invertia-se a ordem, e a Girafa escorregava primeiro. Nesse caótico vai e vem, nessa frenética subida e descida, escalada e escorregada, em um determinado momento, os dois tentaram usar o brinquedo exatamente ao mesmo tempo. Entretanto, assim como em um dos princípios básicos da física, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço simultaneamente. O resultado foi catastrófico. E impossível de se determinar quem fora o culpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Elefante, que tentou escorregar primeiro, ficou parecendo que a Girafa o havia empurrado. Afinal, ele estava lá, tranqüilo, pronto para escorregar, e veio aquela “pescoçuda” por trás para derrubá-lo. Para a Girafa, entretanto, ficou a sensação de que era a vez dela de escorregar, mas que o Elefante havia se intrometido a sua frente. Os dois tinham razão, e ao mesmo tempo nenhum dos dois a tinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cair estatelado no chão, ao final do trajeto no escorregador, o Elefante abriu o berreiro (lembre-se que a essa época o Elefante ainda era um filhotinho, suscetível às fortes emoções da vida impúbere). E não adiantava vir outros animais tentar acalmá-lo. O estrago havia sido feito. Nenhuma palavra de Lontra amiga ou da sábia Coruja iria reanimá-lo. Foi nesse mesmo instante que iniciou, embora de forma mais incipiente, a birra do Elefante contra a Girafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu após o fatídico episódio no parquinho pode ser facilmente deduzido por nossos leitores. A Girafa, mais forte emocionalmente, não se abalou com o fato e continuou na escolhinha. De fato, progrediu até os mais altos graus acadêmicos. O Elefante, traumatizado pelo fato, optou por abandonar a escola. E ganhou o apelido de Elefante Analfabeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados alguns instantes da cena no parquinho, uma profunda vergonha tomou conta do Elefante. Não demorou muito para que essa vergonha se transformasse em raiva, raiva daquela “pescoçuda” que o havia – ao menos supostamente – empurrado. Embora ainda estivesse na pré-escola, o Elefante jurou vingança. Mesmo que levasse dias, semanas, meses, ou até mesmo anos – ele havia de fazer alguma coisa para compensar a situação constrangedora pela qual passou frente a seus amiguinhos. E isso ficou remoendo em sua cabeça após ter decidido abandonar a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio o pai do Elefante não gostou muito da idéia de vê-lo abandonar a escola. Mas aos poucos foi percebendo o grau de resolutividade do filho, e por fim acabou se convencendo de que a melhor saída era mesmo liberá-lo da obrigação de ter de freqüentar aquele estabelecimento de ensino que tanta vergonha tinha despertado em seu filho. Ele até tentou localizar outra escola para o Elefante, mas não havia nas redondezas tantas escolhinhas para animaizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da singeleza da situação, e da aparente falta de relevância prática do fato, nascia aí um dos maiores embates de nossos tempos: uma batalha entre o apreço ao conhecimento (e o conseqüente estímulo ao espírito acadêmico competitivo) versus o desleixo e a despreocupação com o aprendizado (simbolizado pelo culto ao autodidatismo). Contrapunha-se, pois a Escola da Vida (do Elefante) à Escola da Academia (liderada pela Girafa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, os demais indivíduos (sejam eles animaizinhos toscos ou não) invariavelmente se filiam a uma ou outra corrente. Ora são partidários da Girafa Acadêmica, ora seguem as diretrizes do Elefante Analfabeto. Mas estamos falando ainda apenas do começo da história... Muita coisa aconteceu desde o episódio mal-resolvido do escorregador. Seria um motivo muito banal para iniciar uma luta secular. Há mais fatos escondidos por trás da luta entre Girafa e Elefante. E é sobre isso que trata este livro: as origens, a evolução e a situação atual do embate Academia versus o mais puro Ostracismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digamos que, dentre outras coisas, há um amor reprimido envolvido. Também há outros animais que também são protagonistas nessa história. Acompanhe essa história, e entenda porque o mundo é hoje dividido entre elefantinos e girafísticos, e as diferenças práticas entre se filiar à AGA ou a EIA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-3297400234985688821?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/3297400234985688821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=3297400234985688821&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/3297400234985688821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/3297400234985688821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/11/cena-no-parquinho-gnese-da-disputa.html' title='A cena no parquinho: a gênese da disputa entre o Elefante Analfabeto e a Girafa Acadêmica'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-1052045768495716639</id><published>2007-11-29T14:22:00.000-02:00</published><updated>2007-11-29T14:34:50.436-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>De como a Girafa e o Elefante se conheceram inicialmente</title><content type='html'>O ano era difícil de se determinar. Mas era o princípio da vida da Girafa e do Elefante. Ambos eram apenas animaizinhos. Não se sabe ao certo se tinham a mesma idade, mas o fato é que os dois entraram juntos na escolhinha. E, por um acaso do destino, foram parar exatamente na mesma casse: a turma da professora Coruja, um poço de sapiência. A sala ficava ao final do corredor da escola dos animaizinhos toscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia de aula, a dona Coruja pediu que os animaizinhos se apresentassem. Ali naquela mesma sala se encontravam outros que anos mais tarde seriam grandes articuladores da disputa entre o conhecimento e a falta deste, como a Pomba Balboa (que, até então, era apenas Pomba, assim como o Elefante Analfabeto era apenas Elefante, a Girafa Acadêmica era apenas Girafa, e assim por diante; os filhotes eram puros e inocentes; seus nomes ainda não carregavam pesadas cargas semânticas em decorrência de seus importantes atos e tomadas de decisões perante a sociedade dos animaizinhos), a Ave Maria Cheia de Graça e a Marmota Cega. A título de curiosidade, um dos grandes articuladores do movimento em prol do Elefante, o Camelo Israelense Terrorista, não se encontrava, a essa época, no mesmo espaço físico dos demais. Como o próprio nome pelo qual ficou mundialmente conhecido sugere, o Camelo tem origem israelense, e, como tal, teve seus primeiros anos de educação em Israel – talvez por esse motivo ele tenha se tornado tão contrário aos ensinamentos predominantes no mundo ocidental. Talvez por esse mesmo motivo ele tenha se tornado tão frio e calculista, tão insensível quanto aos demais... Mas aqui não é ainda o momento de discorrer sobre a personalidade forte do Camelo. Apenas de mencionar seu papel importante no desenvolvimento das correntes antagônicas Girafa versus Elefante – até porque, sem um mentor intelectual que planejasse tudo por si, ou que ao menos colocasse no papel  articulasse em frases verbalizadas tudo o que o Elefante pretendia, dificilmente essa história teria adquirido as dimensões que tem hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, de volta à turma do Elefante e da Girafa... Não dá para negar que esses dois animaizinhos, ainda em suas respectivas infâncias, viveram bons e prazerosos momentos um na vida do outro. Eles não eram o que se pode chamar hoje de “grandes amigos”, mas, mesmo assim, gostavam-se um do outro. Ou melhor: um não tinha nada contra o outro, e um não se importaria, em, por exemplo, ter de emprestar o estojo de canetinhas para o outro. Ah! Bons tempos aqueles da infância... Onde tudo é tão puro, onde nada nem ninguém representa uma ameaça, onde todos são amigos... Há pureza e inocência no mundo quando somos crianças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, a Coruja chegou em aula um tanto animada, e pediu que os animaizinhos se dividissem de dois a dois. Como os animais ainda pouco se conheciam, e não se tinha o que se pode chamar de afinidade para facilitar a divisão, a Coruja não viu outra saída senão impor-lhes uma divisão de par em par. Na falta de um critério melhor, a professora decidiu optar pelo critério da ordem alfabética. Vizinhos na chamada, o Elefante e a Girafa formaram um par. Se eles imaginassem o que os esperava no futuro, talvez tivessem dado maior atenção a essa triste e (in)feliz coincidência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarefa era deveras fácil. Cada dupla de dois animaizinhos deveria fazer um desenho em parceria. Para isso, deveriam concordar nos elementos que cada um colocaria no papel, e nas cores que utilizariam. A Coruja explicou-lhes que era muito importante que ambos decidissem tudo em comum acordo, como uma forma de exercitar o espírito de cooperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa situação, o Elefante fora um tanto passivo. Ele ficou embasbacado com a perspicácia da Girafa, que, no alto de seus 2 metros de altura, possuía uma habilidade tremenda com lápis, canetas, tintas e borracha. A Girafa - um tanto egoisticamente, é verdade -, foi se deixando envolver pelo manusear do pincel, e quando viu, já tinha feito todo o desenho, sem nem ao menos consultar o Elefante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse episódio aparentemente banal, a princípio, foi um dos fatores que viriam a acentuar, anos mais tarde, a discrepância nos modos de vista do mundo das posições girafística se elefantinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a Girafa estava a fazer era um dos pilares de sua filosofia de vida: em nome do espírito acadêmico de competição, desde cedo a Girafa sempre procurou fazer o melhor de si, como uma forma de se destacar dos demais. Para isso, muitas vezes, ela teve de passar por cima do livre arbítrio de outros animaizinhos. Mas tudo em nome de um bem maior: o espírito competitivo. Ao assumir o pincel, a Girafa tentava garantir para si o título de melhor desenho da classe, uma vez que ela sabia que possuía habilidades ímpares de desenho. Entretanto, ao não consultar o Elefante, ela demonstrava um excessivo senso de egoísmo, contrário aos ditames de uma sociedade atual, voltada para a cooperação. Ela também foi contra ao que de fato se estava tentando ensinar com o exercício: o espírito de cooperação. Caso ela tivesse um pouquinho mais de discernimento na situação, e tivesse podido perceber que o real propósito da atividade proposta não era fazer o melhor desenho possível, e sim aprender a noção de cooperação, talvez ela não tivesse se adiantado e feito o desenho todo sozinha. Mas ela tinha compreendido, sim, ao menos a idéia de que deveria ter contado com a colaboração do Elefante para a execução da tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse o caminho inverso – o Elefante a dominar o pincel, e a Girafa a olhá-lo, atônita – talvez a situação atual do conhecimento no mundo fosse completamente diferente. Essa fora a primeira situação em que a Girafa mostrou-se superior ao Elefante – embora muitos argumentem que, historicamente, quem teria se destacado nesse episódio tenha sido o Elefante, por ter aceito a situação – ora, mas desde quando alguém se destaca por ser passivo? A Girafa fora, sim, a grande protagonista da situação. Mesmo que tenha se utilizado de meios escusos para obter esse fim, é verdade. Assim, é com grande maestria que muitos atribuem a esse episódio o primeiro embate real entre a Girafa Acadêmica e o Elefante Analfabeto – visto que nisso já estava presente o profundo conhecimento girafístico em contraposição à ignorância elefantina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-1052045768495716639?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/1052045768495716639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=1052045768495716639&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/1052045768495716639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/1052045768495716639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/11/1-de-como-girafa-e-o-elefante-se.html' title='De como a Girafa e o Elefante se conheceram inicialmente'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-3489430778809137423</id><published>2007-02-09T00:59:00.000-02:00</published><updated>2007-01-28T00:43:46.173-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>A girafa acadêmica</title><content type='html'>&lt;i&gt;(criação de personagem)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pêlo amarelo, mas com manchas esparsas em tons amarronzados. E com um fino pescoço, comprido feito uma vara de pescar (ou até maior que isso). Aparentemente, ele era igual aos demais. Entretanto, o que diferenciava Jerônimo das demais girafas era a vontade de estudar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerônimo era inteligente. Ele tinha paixão pela vida acadêmica. Jerônimo sabia até mesmo que o substantivo girafa era epiceno, o que significava que ele era uma girafa macho, e não “um girafa”, ou “um girafo”. Outra coisa que a girafa acadêmica descobriu, através de uma simples pesquisa pelo Google, era que os romanos chamavam as girafas de camelo leopardo, pois acreditavam se tratar da mistura de uma fêmea camelo com um macho leopardo. “Era burrinhos, esses romanos”, pensava Jerônimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, sua ganância por estudos aumentava cada vez mais. Os atrativos da vida acadêmica lhe pareciam bastante promissores. Como todo seguidor da vida acadêmica, quanto mais estudava, mais queria estudar. E quanto mais conhecimento adquiria, mais tentava sugar o coro de quem porventura cruzasse seu caminho. Em pouco tempo, passou a usar de meios insidiosos para alcançar o poder no mundo científico. E, para tanto, poderia recorrer até mesmo a ameaças a estudantes universitários, se isso pudesse significar prestígio profissional. A girafa macho aparecia na janela das salas de aulas, para desconcentrar os alunos. Embora Jerônimo fosse invisível aos olhos dos humanos, os acadêmicos que sabiam de sua existência percebiam quando a girafa acadêmica estava por perto. O clima de qualquer sala se tornava pesado quando Jerônimo estivesse por perto. Assim, apesar da invisibilidade, alguns poucos sensitivos eram capazes de perceber sua presença nos arredores, embora falhassem em perceber exatamente a localização espacial específica. Para facilitar a localização, a girafa acadêmica muitas vezes deixava insígnias nos locais pelos quais passava, de modo a identificar sua presença. Tais símbolos poderiam estar na estampa de uma rede de fast food, ou em uma foto de um outdoor. Mas só alguns poucos iniciados no segredo da girafa eram capazes de perceber o que esses signos pretendiam realmente significar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande vantagem de ser invisível aos humanos era a de poder se espreitar pelos mais diversos ambientes para se alimentar de estudos, mesmo com todo o tamanho de Jerônimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerônimo também costumava circular pelos lugares freqüentados pelos alunos em momentos de lazer. De fato, ele aparecia a qualquer momento. Ele era perceptível todo o tempo. Às vezes, aparecia de modo subliminar, como num porta-copos da praça de alimentação de uma feira-livre, ou na primeira página do jornal, escondido sob um título de uma matéria sobre zoológicos. Jerônimo estava em todos os lugares que possuíssem qualquer resquício de vida acadêmica. Ele era onipresente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a sorte dos estudantes – o que evitava que eles tivessem seus conhecimentos sugados pela ganância da girafa acadêmica – Jerônimo dificilmente cabia nos lugares por eles freqüentados. Havia uma grande limitação de altura. Enquanto as construções de humanos possuíam um limite de altura em torno de 3 metros de altura, Jerônimo media 5,2 metros. 3 metros só de pescoço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pescoço era sua proteção natural contra predadores. Os maiores predadores da girafa acadêmica eram os orientadores. Ela achava que não precisava de ajuda para pesquisar, e por isso fugia tanto dos orientadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um pescoço alto tinha lá suas vantagens, como permitir alcançar alimentos altos (geralmente mais suculentos e saborosos) e facilitar a vigilância (o que permitia escapar dos perigos mais facilmente). Mas havia também desvantagens, como, por exemplo, a hora de tomar água. Tomar água era uma verdadeira tortura para a girafa acadêmica. Ela precisava abrir bem as pernas e baixar o pescoço ao máximo, até que a cabeça se aproximasse do chão. A posição era totalmente desconfortável. Outras girafas costumavam ficar de guarda quando uma se abaixasse para tomar água na floresta, pois esses animais ficam extremamente vulneráveis na posição de pernas abertas e pescoço baixo. Mas como Jerônimo era uma girafa solitária (sozinho na tarefa de dominar o mundo acadêmico das girafas), ele precisava confiar plenamente na sua total invisibilidade para conseguir realizar a árdua tarefa de tomar água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso acontece porque o pescoço das girafas é pouco maleável. Apesar do comprimento, as girafas possuem o mesmo número de vértebras que os humanos (sete). Assim, apesar de longo, o pescoço é pouco flexível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um problema semelhante ao de tomar água era enfrentado por Jerônimo para conseguir ler um bom livro. Por isso, ele preferia ler no computador, a partir da janela de algum prédio alto que tivesse a tela voltada para a janela. Ele tinha uma especial preferência pelo segundo andar dos edifícios em que vivessem estudantes com vida acadêmica ativa. Jerônimo não dizia a ninguém, mas no fundo preferia os cursos relacionados à área de Ciências Sociais Aplicadas. Principalmente o Direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos cinco sentidos clássicos (ou seis, se se considerar o resultado da soma dos outros cinco como um sentido autônomo - a intuição, que era bastante ativa em Jerônimo), o mais aguçado da girafa acadêmica era a visão. Do alto de seus 5,2 metros, a girafa macho podia enxergar longe, muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas girafas em geral, a visão é o sentido mais desenvolvido. Elas também têm audição e olfato poderosos. Em compensação, as girafas não têm voz. Mesmo apresentando órgãos fonadores completos e perfeitos, uma girafa raramente emite sons. Por um tempo até se supôs que as girafas fossem totalmente mudas. Mas, hoje em dia, sabe-se que, embora sejam animais silenciosos (mesmo com todo aquele tamanho!), elas emitem alguns grunhidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato curioso é que a língua das girafas é extremamente longa, podendo chegar a até 40 centímetros de comprimento. Diz a lenda que as girafas são capazes de limpar as orelhas com a própria língua. Jerônimo ficou sabendo disso e tentou realizar a tarefa, mas não conseguiu. Como ele é uma única girafa, fica difícil extrair uma regra geral a partir de uma única tentativa. Mas ele desconfia que a profecia seja uma tremenda furada. Ou acaso alguém já viu uma girafa limpar as próprias orelhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jerônimo passava muitas horas por dia se alimentado. Nesse tempo se incluía o tempo necessário para retirar o alimento do alto das acácias, o tempo de mastigação, e as horas em que a girafa passava ruminando. Ele detestava o fato de ser ruminante, mas, ao menos assim, podia importunar estudantes ao mesmo tempo em que se alimentava – alimento para o corpo e para a mente, concomitantemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim vivia a girafa acadêmica, alimentando-se o tempo todo do conhecimento alheio e atacando os estudantes indefesos do alto de seus 5,2 metros de comprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(rascunho a ser complementado)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-3489430778809137423?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/3489430778809137423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=3489430778809137423&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/3489430778809137423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/3489430778809137423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/02/girafa-acadmica.html' title='A girafa acadêmica'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-7365108619999852045</id><published>2007-01-28T00:42:00.000-02:00</published><updated>2007-11-29T14:31:55.258-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outras historias'/><title type='text'>Projeto de máquina do tempo</title><content type='html'>Em um velho laboratório, situado no porão de uma casa de alvenaria, um velho senhor barbudo de cabelos brancos e seu jovem aprendiz conversavam. Os dois se encontravam lado a lado, detrás de uma pesada mesa de madeira, debruçados sobre os vários croquis de modelos de cabine. A ambição do velho senhor, alimentada desde sua mais tenra juventude, era a de, tal qual acontecia nos romances de ficção científica, construir uma máquina do tempo capaz de levá-lo ao passado remoto e ao futuro distante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animado com a idéia de poder contar com a ajuda de um jovem rapaz recém-formado na faculdade de engenharia, o velho senhor chamou-o a sua casa para conversarem tão logo fosse possível. Devido à pressão, não tardou muito para que o jovem aparecesse para o primeiro encontro. Naquele momento, enquanto revisavam projetos, desenhos e esquemas elaborados em décadas de dedicação, o velho senhor procurava saber o que se passava pela mente agitada e explosiva de um jovem admirador de máquinas do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga o que você acha. Façamos um &lt;i&gt;brainstorm&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que eu acho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, o que você acha com relação ao projeto. Diga qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, em primeiro lugar, acho que a máquina deveria ir apenas em direção ao passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Somente ao passado? Ora, mas por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por uma simples impossibilidade científica de se poder prever o futuro. Uma máquina do tempo não é uma bola de cristal. Ela não tem o condão de prever os acontecimentos futuros. O passado, por sua vez, já aconteceu. Deveria ser perfeitamente possível voltar atrás. Mas avançar para frente iria requerer uma tecnologia extremamente avançada, algo de que não dispomos no momento, o que atrasaria em anos, décadas, e até mesmo milênios um projeto exeqüível de máquina do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tese interessante. Mas, meu jovem, você não acha que assim a máquina perderia grande parte de seu encanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim e não. Perdemos em termos de atrativos em potencial, mas ganhamos em termos de lógica e probabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Digamos que se vá apenas ao passado, então. Pensemos com extrema racionalidade. O que acontece se alguém mudar alguma coisa, como, por exemplo, um pai que evita a morte do filho? Tem também o problema do paradoxo do avô, conhecido há anos pelos cientistas. Por ele, tem-se que um viajante no tempo que, sem querer, matasse o homem que era seu avô, quando retornasse ao presente, não teria nascido. Em não tendo nascido, como pôde ele ter retornado ao passado para matar o avô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justamente por isso é que não pode ser possível mudar o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, e então, qual o sentido em se voltar ao passado se um pai não puder evitar a morte de um filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por acaso tudo tem que ter um sentido? A vida, por sua vez, não tem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem colocado, mas dedicamos meses, anos, até mesmo nossas próprias vidas a esse projeto. É preciso haver um motivo, de modo que o motivo da máquina preencha a falta de sentido de nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O propósito da máquina do tempo seria o de satisfazer a até hoje insaciável curiosidade humana. É impossível estar presente em todos os lugares a todo momento. É conhecendo o passado que se compreende o presente e se condiciona e constrói o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O passado não seria, assim, uma espécie de aprisionamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Totalmente. Talvez o mais sensato seja desistir do projeto de máquina do tempo. Isso mexeria demais com as emoções humanas, e até com o próprio sentido de humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desistir? E colocar todos esses anos de pesquisa fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fazer o quê, o homem já possui toda as condições para retroceder ao passado e não o faz. Já temos nossas máquinas do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, se o propósito é apenas o de visitar o passado, o que são fotos, vídeos e documentos impressos senão meras próteses que nos permitem fazer isso? E muitas vezes podemos voltar ao passado de graça, ou com baixíssimo custo. Não faz sentido consumir horas e horas de trabalho para fazer algo que já existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É fácil falar assim para quem é jovem e ainda não tem nada a perder. E eu, que já passei mais de quarenta anos de minha vida enfurnado neste laboratório, bolando técnicas de como se projetar em direção ao passado e ao futuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois abandone a idéia enquanto é tempo. Isso tudo não passa de utopia. Uma utopia alimentada por uma vasta literatura de ficção científica, que remonta à obra de H. G. Wells, ainda no século XIX. A máquina do tempo só funciona na literatura. Desista do projeto. Viva o presente. O futuro é imprevisível, e o passado só serve para barrar o progresso. &lt;i&gt;Uma máquina do tempo simplesmente não faz sentido&lt;/i&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-7365108619999852045?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/7365108619999852045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=7365108619999852045&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/7365108619999852045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/7365108619999852045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/01/projeto-de-mquina-do-tempo.html' title='Projeto de máquina do tempo'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-4316412868540367773</id><published>2007-01-16T02:06:00.001-02:00</published><updated>2007-01-16T02:07:47.902-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outras historias'/><title type='text'>O sorriso de Helena</title><content type='html'>Duas coisas me chamavam a atenção em Helena. A primeira era o sorriso. Quando a Helena sorria, parecia que o mundo todo se abria num imenso mar de felicidade. Os peixes saltavam para fora da água (mas voltavam, antes que se lhe faltassem o ar), as crianças pulavam de alegria, os penhascos se atiravam ao ar, as estrelas brilhavam mais fortes e a Lua se aproximava do Sol, cada vez que Helena sorria. Seus lábios se esticavam de tal forma que eu não duvidaria se a foto de Helena sorrindo fosse encontrada logo abaixo da definição da palavra sorriso em um dicionário ilustrado. A maneira que as covinhas de seu rosto se contorciam quando Helena sorria também era peculiar. Era como se uma pedra fosse jogada em um lago e provocasse infinitas reverberações concêntricas rumo à margem, sendo que, no caso de Helena, não havia margem: tudo era sorriso. E o mais importante de tudo: aquele sorriso era meu. Eu era o detentor exclusivo do sorriso de Helena. Helena só sorria quando me via.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra coisa que apreciava em Helena era o prato de macarrão, que só ela fazia do jeito que eu gosto. Mas Helena morreu. E, diferentemente de quando ela me via, Helena não morreu sorrindo. A morte, sentida pelos pássaros que pararam de piar e pelas formigas que, em homenagem a Helena, deixaram de estocar comida durante um dia, foi trágica. Um raio caiu do céu e atingiu Helena. No corpo, a expressão de dor era visível. Mas, ao menos em meus pensamentos, Helena continua sorrindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-4316412868540367773?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/4316412868540367773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=4316412868540367773&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/4316412868540367773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/4316412868540367773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/01/o-sorriso-de-helena.html' title='O sorriso de Helena'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-3809159331616203277</id><published>2007-01-07T22:16:00.000-02:00</published><updated>2007-01-25T01:58:54.489-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outras historias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='republicação'/><title type='text'>Suspense</title><content type='html'>Bateu a porta. O estrondo ecoou no corredor. Várias luzes de apartamentos vizinhos, acima, abaixo e ao lado, acordaram-se. Aquele silêncio mortificante da noite fria de agosto era interrompido por um estrepitante ruído. De súbito, o medo tomava conta de todos aqueles que há pouco estavam dormindo. O que teria acontecido?&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, não muito longe dali, ele já estava entrando em seu carro, na garagem do subsolo do prédio, quando se lembrou de que deixara o aquecedor ligado. "Droga."&lt;br /&gt;Desfez todo o caminho percorrido. Voltou ao apartamento. O crepitar da chave, num silêncio engasgante de 3h da madrugada, pôde ser ouvido dois apartamentos acima. A criança, que já não conseguia dormir desde o estrondo, vai então para o quarto ao lado, para a cama de seus pais, e por pouco não os flagra na concepção de mais um irmãozinho.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, ele apaga o aquecedor. Verifica outros dispositivos eletrônicos, fogão, computador, televisão. Tudo devidamente desplugado. A viagem seria longa. Tudo deveria ficar em seu devido lugar. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, não bateu a porta: fechou-a delicadamente. Percebera passos em um apartamento vizinho. Talvez morasse perto de sonâmbulos lunáticos e psicóticos. Talvez uma mãe estivesse a amamentar o seu filho. Talvez estivesse ouvindo coisas demais.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Retornou ao carro. Ficou algum tempo sem fazer nada. Sem dizer nada. Sem pensar em nada. Quando estivera prestes a esquecer porque estava ali, um medo súbito tomou-se-lhe conta. Aquela garagem escura e vazia, fria e cavernosa, assustara-o, como nunca antes o tinha feito. E antes que aquele sentimento pudesse lhe fazer desistir de seus planos, ligou o carro e acelerou com tudo. Tinha de sair dali o mais rápido possível!&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Em poucos instantes, ganhou a rua. Tomou o cuidado de sair pelo portão da garagem cuja câmara de segurança estivesse estragada. Não queria correr o risco de ser reconhecido em seu carro. Principalmente depois do papel que seu carro desempenharia naquela noite. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Com um mapa em mãos, tratou de traçar um trajeto que não percorresse pedágios e câmeras de segurança. Ia ser difícil chegar aonde queria sem ser reconhecido. Era preciso inovar: parques e praças poderiam servir de atalhos engenhosos. Ainda bem que ninguém circulava pelas ruas da cidade em madrugadas frias de agosto. Estavam todos ocupados fritando seus miolos diante de lareiras, aquecedores, estufas, cobertores elétricos, calefação central. Poucos sofriam desse distúrbio incontrolável do sono chamado insônia.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Tomou tanto cuidado para não ter de parar em sinais vermelhos, que quase se esquecera de dobrar na esquina certa. E então viu a luz indicativa de que era aquele o lugar que planejava chegar há dias. Estava escuro o suficiente. Ninguém iria perceber o crime que cometeria. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Entrou pela entradinha da esquerda. Olhava insistentemente para os lados, de modo a certificar-se de que não havia ninguém por perto. Qualquer deslize poderia ser fatal. Reduziu a velocidade. Baixou os faróis. Sentiu que alguém se aproximava, mas logo percebeu que se tratava de um carro que passava velozmente pela avenida ao lado.&lt;br /&gt;Quando estava no ponto final do trajeto, sorriu aliviado. A pior parte já passara. Agora era só questão de executar o plano, esconder o corpo, e voltar para casa. Não sem antes, é claro, tratar de apagar todas as evidências que permanecessem por seu carro. Era preciso tomar muito cuidado a partir de agora. Cuidado redobrado.&lt;br /&gt;Parou o carro. Desligou o motor. A seu lado, uma janela de ferro deslizava lentamente. Tinha pouco tempo para desistir. Será que valeria a pena levar o plano adiante?&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;E então, uma voz quente e suave dirigiu-se a ele: "Faça seu pedido".&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Não resistiu: comprou seu McLanche Feliz com a Hello Kitty, e voltou feliz para casa.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;* Original em &lt;a href=http://gabrielaz.blogspot.com/2005/08/suspense.html&gt;http://gabrielaz.blogspot.com/2005/08/suspense.html&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-3809159331616203277?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/3809159331616203277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=3809159331616203277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/3809159331616203277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/3809159331616203277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/01/suspense.html' title='Suspense'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-7405429660100530583</id><published>2007-01-04T00:21:00.000-02:00</published><updated>2007-01-04T00:22:41.079-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outras historias'/><title type='text'>João sem cão</title><content type='html'>João sem cão era um homem que, como o próprio nome diz, não tinha um cão. Mas ele teve, algum dia. O bicho sumiu, desapareceu. Dizem as más línguas que o cão fugiu. Desde então, o João é conhecido assim. Talvez se ele nunca tivesse tido um cão (ou então se ele e o cão não tivessem vivido uma relação tão intensa) ele tivesse se tornado, com a partida do cão, apenas “João”. Antes ele era o João do cão - “Qual João?”, perguntavam. “O do cão”. &lt;br /&gt;Ninguém sabe o que aconteceu com o cão. Ele estava sempre com o dono, mas um dia simplesmente já não estava mais lá. João vinha todos os dias à cidade para fazer compras no mercado. O cão sempre vinha atrás, como um fiel companheiro de caminhada. Mas um dia ele não veio junto. E desde então o João está sem cão.&lt;br /&gt;Ninguém sabe o que o João gosta ou que tipo de coisa ele faz ou deixa de fazer. Ninguém sabe ao menos se o nome dele é mesmo João. Só se sabe ao certo que ele tinha um cão. E que, de uns tempos para cá, o cão não tem aparecido mais não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-7405429660100530583?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/7405429660100530583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=7405429660100530583&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/7405429660100530583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/7405429660100530583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2007/01/joo-sem-co.html' title='João sem cão'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-115336772235591022</id><published>2006-07-20T00:51:00.000-03:00</published><updated>2007-01-25T01:59:58.446-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>A vaca Mimosa</title><content type='html'>Todo dia era sempre a mesma coisa. O seu Gumercindo acordava quando o sol raiava, colocava a primeira roupa que encontrava pela frente (geralmente, a mesma do dia anterior: a mesma de todos os dias!), tomava um café da manhã bem quente (para acordar, dizia), e se dirigia para o curral. Lá encontrava à sua espera a vaca Mimosa, sempre amarrada a um dos pilares do lado esquerdo da casinha de madeira, que antes servira-lhe como lar, e que hoje mal se sustentava em pé a cada ventania que assolava a fazenda.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Mimosa era uma &lt;a href=http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/LeiteSemiArido/racas.html&gt;vaca leiteira&lt;/a&gt; como as outras. Ela era uma &lt;a href=http://www.gadoholandes.com.br/folder/holandes.htm&gt;vaca Holandesa&lt;/a&gt; de pele branca com manchinhas pretas esparsas distribuídas aleatoriamente pelo corpo – vista de longe, parecia um cão dálmata bem gordo. Mas, de perto, a visão era inconfundível: era uma vaca malhada tradicional, com suas tetas rosas carregadas de leite a balançar a cada movimento.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Seu Gumercindo pegava o balde amarelo, sentava no banquinho ao lado do cocho de Mimosa, e começava a tirar o leite de sua vaca preferida. A quantidade de leite era sempre farta, mais do que o suficiente para que dona Benta pudesse fazer os mais variados doces e queijos com o leite que saía da Mimosa. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia Mimosa se cansou de fornecer leite o tempo todo. Ela lembrou-se do tempo em que era livre e vivia a pastar pelos campos bem verdinhos de seu dono. As outras vacas podiam ficar o tempo todo nos pastos, tomando sol, procurando sombras para proteger-se do calor excessivo, pastando sempre que tivessem vontade. E ela não. As outras vacas estavam sempre acompanhadas de seus terneirinhos. Mimosa não. Ela tinha vergonha em admitir, mas era virgem (ou ao menos se sentia assim). Até mesmo a lembrança das intrigas de várias vacas disputando o amor do único touro da fazenda já a fazia suspirar. Ela queria voltar a sua vida de adolescente. Qualquer coisa era melhor que ser uma patética vaca leiteira.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;E então ela fez um esforço danado para parar de fornecer leite. No princípio, era difícil de conter, e Mimosa tinha até que fazer força. Mas com o tempo foi se tornando mais fácil, seu corpo foi colaborando, suas tetas foram murchando, e o leite secou. Foi questão de uma semana para que mais nenhuma gota de leite pudesse ser produzida. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Seu Gumercindo entrou em desespero. O que na quinta-feira parecia ser um probleminha passageiro, no sábado já assumia as proporções de uma verdadeira catástrofe. Sem o leite de sua única vaca leiteira, seu Gumercindo não teria o que fazer. Era preciso encontrar uma solução rápida. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Com o dinheiro contado, não bastaria apenas transferir uma de suas vacas de cria para a função de leiteira. Isso causaria um desequilíbrio em suas finanças. Era preciso tomar atitudes drásticas. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Menos de sete dias após o início da “crise de falta de leite”, seu Gumercindo encontrou uma solução: ele comprou uma das vacas leiteiras de seu vizinho. E Mimosa foi para o único lugar para onde vão as vacas que não dão leite: ela foi para o abate. &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-115336772235591022?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/115336772235591022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=115336772235591022&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/115336772235591022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/115336772235591022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2006/07/vaca-mimosa.html' title='A vaca Mimosa'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-114278424088073777</id><published>2006-03-19T13:02:00.000-03:00</published><updated>2007-01-25T02:01:00.960-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>O pássaro amarelo</title><content type='html'>Era uma vez um passarinho amarelo. Ele vivia numa gaiola cheia de palha. Todo dia sua dona abria a gaiola para trocar a palha, e o pássaro ficava apenas observando, sem reagir. Um dia ele resolveu testar seus limites de liberdade. Assim que sua dona abrira a gaiola, o pássaro fugiu. Atônita, a menina ficou incapaz de reagir. Como a janela estivesse aberta, o passarinho pôde voar em direção à total liberdade. Dentro de poucos instantes já havia alcançado a rua, um lugar que jamais vira.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;No começo, ficou meio zonzo com tantos barulhos, cheiros e fumaças. Mas em seguida acostumou-se a ver o mundo em escala de cinza. Estranhou por não encontrar palha sob seus pés (para quem vivera a vida toda diante de grandes e palha, era normal acreditar que o mundo todo fosse assim; do particular abstrai-se a regra geral). Mas em seguida habituou-se a ver o mundo com todas as suas cores. Não demorou para encontrar uma árvore, onde viviam centenas de passarinhos. Talvez por ser diferente, ou menorzinho, os demais passarinhos o puseram para correr. Ele não entendia. Achava que tudo fosse de todos – ignorava que houvesse a tal da propriedade privada.&lt;br&gt; &lt;br /&gt;Depois de perceber que nas árvores haviam passarinhos, ele continuou indo de árvore em árvore em busca de seus semelhantes. Entretanto, todo pássaro da cidade era igual ao cenário que o passarinho via: tudo ali era hostil e cinza. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito voar, já meio arrependido de ter abandonado o aconchego de sua embora apertada mas aconchegante gaiola (ao menos seu cocho era reabastecido no mínimo duas vezes ao dia, com o melhor dos alpistes... o pássaro já estava voando há horas, e ainda não tinha encontrado nada que parecesse com comida; sua esperança era poder encontrar pássaros solidários que o mostrassem onde fosse possível consegui-la), o passarinho resolveu descansar no parapeito de uma janela. Primeiro, observou a rua ao seu redor. Carcaças gigantescas de metal zuniam em alta velocidade no asfalto sob seus pés. Monstros voadores retumbavam nos ares de tempos em tempos. Havia um barulho insistente de perfuração e aprofundamento. Era tudo tão confuso que o passarinho se sentia zonzo. Para desviar o olhar dessa atmosfera cinza e barulhenta, o passarinho olhou para o outro lado da janela. Dentro, avistou móveis imponentes, pessoas circulando, e, no canto da sala, uma gaiola pendia no ar. Nela, havia um passarinho esmirradinho, amarelo que nem ele. O pássaro cantava solitariamente, e ninguém prestava atenção aos seus lamentos: todos estavam ocupados demais com suas próprias vidas, em algum tipo de discussão, do outro lado da sala. Observando alguém igual a si, o passarinho do lado de fora percebeu o quanto sua vida era limitada por aquelas grades, o quanto era infeliz e o quanto vivia solitário. De repente, o mundo lá fora passou a ganhar uma espécie de colorido diferente. Já não era todo pateticamente cinza. Havia as árvores, que eram verdes. E as flores, que podiam ser amarelas, vermelhas, rosa, e de uma infinidade de outras cores. Os monstros de metal podiam ser também de várias cores. As habitações de concreto eram multicoloridas. Até que o mundo era bem bonito, sim. Se comparada com as limitações espaciais de uma gaiola, a cidade era o melhor dos mundos possíveis!&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Uma euforia tomou conta do passarinho, mas em seguida esvaeceu-se: por mais lindo que fosse o universo, ele ainda não tinha descoberto uma maneira de alimentar-se. E a fome já começava a assolar seu reduzidíssimo estômago bipartido. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Tentou mais uma vez fazer contato com os passarinhos incolores da cidade. Mas em todas as copas de árvore em que metia o bico era sumariamente expulso por brados de reprovação por sua presença. Desolado, não viu outra saída senão procurar o caminho de volta para casa. Como não conhecia o exterior do apartamento que habitava, resolveu guiar-se pelo cheiro. Era hora do almoço. De Domingo. Provavelmente os pais de sua dona estariam fazendo o almoço a essa hora. E, como em todo Domingo, o prato seria abóbora com carne. O cheiro era forte. Característico Ele o conhecia bem. O pássaro calculava que não devia estar muito longe de casa, pois não havia voado tanto.  Ele reuniu todas os seus esforços, possíveis e impossíveis, e acompanhou o odor que exalava de todas as janelas de todos os prédios e casas que havia por perto. Quando estava prestes a desistir e a se entregar, encontrou uma janela aberta lá no alto de um edifício. Subiu, e à medida que se aproximava, os soluços sufocados de uma garotinha tornavam-se mais nítidos. Ao atingir a janela, reconheceu sua pequena dona, sentada a um canto de seu quarto, chorando. Naquele momento, a possibilidade de liberdade já não fazia sentido para o pássaro. Ele se sentia satisfeito por ter voltado. Entrou pela janela, e bicou a menina carinhosamente em seu braço. E o sorriso que recebeu de volta foi o suficiente para ele nunca mais sequer pensar em liberdade.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Em seguida ela o colocou de volta à gaiola, abasteceu seu pratinho de comida e água, colocou a palha habitual sob seus pés, e o passarinho se sentiu novamente em casa. Tudo era novamente igual, mas completamente diferente.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;E o passarinho viveu feliz para sempre, sem jamais ousar novamente sair de sua gaiola.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Moral da história:&lt;/b&gt; quem tem mente pequena (como a de um passarinho) jamais reunirá coragem suficiente para mudar de vida. Para ir além, é preciso ousar. Sem risco, não há melhora. E sem dor, não há mudança. Mas tudo bem, não há nada de errado em querer voltar quando não dá certo. O problema é quando a gente se acomoda...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-114278424088073777?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/114278424088073777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=114278424088073777&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/114278424088073777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/114278424088073777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2006/03/o-pssaro-amarelo.html' title='O pássaro amarelo'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113893843838678097</id><published>2006-02-03T01:45:00.000-02:00</published><updated>2007-01-25T02:01:54.696-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>O rinoceronte covarde</title><content type='html'>Era uma vez um lindo rinoceronte. Seu rebolado mais parecia o de uma dançarina do Tchan. Cada vez que andava, era como se seu corpo esperasse um delay de 3 segundos para acompanhar, tamanha a sua gordura. Cada gesto seu era executado em slow motion, e todo movimento parecia que ia durar por toda uma eternidade.&lt;br&gt; &lt;br /&gt;Suas largas patas eram suficientes para fechar definitivamente os olhos de um formigueiro inteiro de uma vez só. Mas Rick era estranhamente solidário para com os demais animais, e sentia um misto de pena e inveja dos pequeninos. Ao mesmo tempo que sonhava em ser menor em tamanho (ele nunca se sentira totalmente adaptado ao seu imenso e flácido corpanzil), ele também detestava ver que os animais grandes geralmente se valiam de seu avantajado crescimento para intimidar os demais. Era contra esse tipo de injustiça que ele centrava suas lutas no Comitê de Defesa dos Animais na floresta. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;No princípio, todos os animaizinhos acharam estranho quando um gigantesco rinoceronte candidatou-se ao cargo vago do Setor de Discriminação Entre Espécies. Mas foi só submetê-lo a uma entrevista que num instante Rick fora aprovado. Sua figura corpulenta e cinza era completamente sui generis naquele departamento, e, não fosse pelo comando-geral de Léo, o leão, ele seria o único animalzinho do Comitê que pesasse mais de 10kg. Era quase que uma tradição a ocupação dos cargos de alto escalão do governo florestal por animais pequeninos, pois só aqueles que não tivessem como se defender por conta própria é que iam ligar para a necessidade de se montar uma organização para se defenderem. Além disso, era impossível que todos os animais fizessem parte do Comitê, pois desse jeito não restariam bichinhos que pudessem ser usados como alimento. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Todos os membros do governo florestal precisavam seguir uma dieta exclusivamente à base de verduras, mas gozavam de certos privilégios, como a possibilidade de defesa grupal a qualquer sinal de perigo (bastava emitir um sinal, que todos os demais membros do comitê prontamente acudiriam). No princípio, fora extremamente complicado para o leão abandonar sua dieta à base de proteínas. Mas diante de um pouco de treino, beirando à tortura, Léo conseguiu finalmente parar de comer seus semelhantes. &lt;br /&gt;O lema do comitê era: "somos animais e não devemos nos comer uns aos outros", já o objetivo principal era o de acabar com as diferenças entre os animais de diferentes portes que habitavam a floresta. Por isso tamanha estranheza quando um rinoceronte carrancudo candidatou-se ao cargo. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Mas Rick era diferente dos demais rinocerontes. Embora por seu tamanho ele normalmente não precisasse se preocupar com sua efesa, Rick era extremamente covarde. E, no menor sinal de perigo, ele simplesmente fugia. Assim, ele entrara para o Comitê não só para defender os interesses dos demais animaizinhos, mas também como uma forma de poder encarar seus inimigos sem medo.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A floresta ficava a meio caminho entre o bosque proibido e o jardim obscuro. Por isso às vezes circulavam por lá animais ferozes e estranhos, alheios ao pacto celebrado entre os animaizinhos da floresta, membros ou não do Comitê. Daí a necessidade de se elaborar planos de defesa, pois embora dificilmente os habitantes da floresta fossem se atacar entre si, sempre que algum inimigo cruzasse o território deles, era preciso encontrar maneiras de se defender. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;O departamento de Rick era de suma importância, pois lidava com o relacionamento entre as diferentes espécies que habitavam a floresta. Animais tão numerosos quanto díspares precisavam conviver harmonicamente, e era isso que Rick, o rinoceronte, precisava assegurar que acontecesse na floresta. Para tanto, ele promovia festas e eventos. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, Rick contava com o apoio de seu braço direito, Rony, o ratinho. Rony era quem realizava todas as negociações em nome do amigo. Era ele, também, quem defendia a imensa massa de covardia de ataques de outros animais. Embora um rinoceronte, por seu porte e corpulência, fosse raramente atacado, Rick era meio paranóico, toda hora achava que estava sendo atacado, ficava com medo e fugia. Rony era quem resolvia a situação, e para tanto, precisava negociar com animais até quarenta vezes mais fortes, velozes e pesados que ele. Ainda bem que ele era um ratinho eficiente...&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;* P.S.: O objetivo deste post era simplesmente criar uma personagem, para uma posterior história sobre ela (quem sabe?). Portanto, aguardem... em breve, momentos emocionantes com Rick, o rinoceronte... (ou não :P)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113893843838678097?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113893843838678097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113893843838678097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113893843838678097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113893843838678097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2006/02/o-rinoceronte-covarde.html' title='O rinoceronte covarde'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113573687715920991</id><published>2005-12-28T00:27:00.000-02:00</published><updated>2007-01-25T02:02:31.966-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>O camelo sonhador</title><content type='html'>Rodrigo era um camelo amarelo de pêlo vistoso, meio magrela, alto, e com dois calombos nas costas. Ele vivia no deserto, mas o que o diferenciava dos demais era o fato de ser manco — e por isso tinha de viver acorrentado, por clemência de seu dono (qual seria a utilidade de um camelo manco no deserto?). &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Os dias de Rodrigo eram um tanto monótonos. Todo dia ele acordava e se debatia, numa tentativa desesperada de livrar-se da corrente (semelhante àquela de um condenado à forca em seu último dia de confinamento: qualquer esforço é válido para escapar da cela), seguida de uma dose hiper-realista de consciência (e de um leve sentimento de frustração, por se encontrar mais um dia com sua liberdade de ir e vir cerceada, seguido de mero conformismo). Uma vez por semana ele recebia pequenas doses de água ao longo do dia. Rodrigo tinha ódio do idiota que tinha espalhado o mito de que camelos não sentem sede porque vivem no deserto. Ele sentia sede, sim, muita sede. Mas infelizmente não tinha como exprimir isso para seu dono, e muito menos tinha como ir em busca de sua própria água. Às vezes ele seguia lambendo seu reservatório de água quando já vazio, como uma forma pouco original de tentar significar que ainda estava com sede. Mas seu dono não compreendia, e apenas ria da atitude maluca de seu camelo adoidado. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Nos demais dias da semana e nas demais partes do dia, o camelo se dedicava ao amor impossível por uma camela que avistava à distância. Muitas vezes ele até esquecia que estava acorrentado e tentava trotear em direção a ela — mas as pesadas correntes de ferro estavam ali, firmes e fortes, para trazê-lo de volta à realidade ao menor passo em direção ao movimento. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Ele sonhava com o dia em que estaria livre das correntes e pudesse correr em direção a sua amada. Seu sonho era puro, inocente. Mal ele sabia que, de fato, manifestava apreço por  dois montes de areia. O que ele avistava era, na verdade, uma miragem. No horizonte podia-se ver duas dunas de areia, e à distância elas se pareciam com as curvas delicadas de uma linda camela. O engano de Rodrigo era totalmente justificável. Mas ele não percebia o quanto estava sendo enganado por sua própria visão (dizem que nossos olhos estão sempre condicionados por nosso cérebro a tentar localizar formas de pessoas em tudo o que vemos). E cada vez mais alimentava sua paixão impossível por uma camela que sequer existia. Ele não entendia que o horizonte é como o futuro: é algo que nunca chega. Ambos, quando atingidos, passam a ser outra coisa. Futuro vira passado, horizonte vira distância percorrida. Tanto um quanto outro nada mais são que utopias: aquilo que se deseja, aquilo que nos faz caminhar, aquilo que serve de combustível a nossas vidas; mas que, quando vira realidade, deixa de ser o que inicialmente se queria.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Um dia, com sede, e ao mesmo tempo perdidamente apaixonado, Rodrigo uniu todas as suas parcas forças e forçou a corrente. Com muito esforço, conseguiu se soltar. Assim que se soltou, o camelo correu em direção a sua amada. Correu rumo ao horizonte, e, quando chegou lá (ou achou ter chegado, pois tinha percorrido uma longa distância) percebeu o quanto nossos sonhos podem ser fúteis se de fato perseguidos. Tudo era só areia. Não existia camela alguma. Mas Rodrigo percebera o quanto aquela camela inexistente fora capaz de inspirá-lo, de fornecer energia para querer viver cada vez mais, de lhe dar a esperança para acordar em um novo dia... Ele vivia para amá-la, e, no entanto, ela nem existia. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: Acredite nos sonhos. Na pior das hipóteses, eles pelo menos podem servir para te levar ao longe.&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113573687715920991?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113573687715920991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113573687715920991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113573687715920991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113573687715920991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/o-camelo-sonhador.html' title='O camelo sonhador'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113462161479985808</id><published>2005-12-15T02:34:00.000-02:00</published><updated>2007-01-25T02:03:12.455-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>A ovelha e o ornitorrinco</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ofélia convidou seu grande amigo Enrico para um jantar no restaurante famoso de saladas à beira da lagoa. O relógio marcava 19h30. Como eles tinham marcado de se encontrar no local às 19h, Ofélia  começava a ficar preocupada. Ela já tinha passado pelos estágios de rejeição (e se o amigo tivesse desistido de ir jantar com ela?), amnésia momentânea (e se tivessem marcado para jantar em outro horário? Em outro local? Em outro dia?) e raiva:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ele me paga por essa demora! Grr.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No momento, ela estava relativamente tranqüila, numa fase da espera em que era capaz de entender a demora do amigo, contanto que ele tivesse um bom motivo para chegar atrasado. Talvez a culpa fosse até do trânsito, pois a essa hora, pouco antes de escurecer, as pessoas estão todas indo para a casa, o que deixa as ruas bastante congestionadas.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi então que ela exclamou, num tom que era audível apenas para si, sentada à uma mesa no canto do restaurante e sentindo-se a única ovelha solitária do lugar:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ai, ai, e esse menino que não chega...&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Assim que terminou de pronunciar a frase, Ofélia olhou para a porta e viu Enrico chegando. Sentiu-se aliviada, e já nem lembrava mais por que antes estivera tão brava com ele. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enrico e Ofélia eram amigos de longa data. Conheceram-se na infância, quando ela perdeu-se da malhada e foi parar na margem do rio, sem saber para que lado ir. Enrico, profundo conhecedor da região, por ouvir as histórias fantásticas que os pescadores contavam, indicou-lhe o caminho de volta. A partir de então, sempre que Ofélia aparecia por ali, Enrico já sabia que ela estava perdida e os dois aproveitavam para conversar e brincar antes do entardecer. Às vezes o pastor se dava conta de que uma de suas ovelhas estava perdida, e a encontrava brincando na margem do rio com um animal esquisito. Ele não entendia como poderia haver um laço de amizade entre uma ovelha e um ornitorrinco. E, sem hesitar, pegava seu cajado e guiava Ofélia pelo caminho de volta.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas, voltando à cena do restaurante. Ofélia aguardava na mesa do canto, e se surpreendeu ao ver Enrico entrar no restaurante. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele estava tão elegante, tão bem arrumado, que ela não pôde deixar de comentar o fato assim que Enrico se sentou:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Uau, tudo isso para um jantarzinho com esta velha amiga? Da próxima vez me avisa que venho de vestido longo.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enrico enrubesceu. Ele notara já desde a porta que a amiga estava muito bonita. Ofélia encontrava-se tosada para o verão, mas seu pêlo estava começando a crescer, num ponto intermediário entre uma tosa e outra. Enrico teve de segurar muitos suspiros para poder finalmente falar:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ah, que isso Ofélia. A situação merece uma roupa especial. Afinal, fazia tanto tempo que você não me convidava para nada. É até motivo para comemorar! Mas você está muito linda esta noite. Tão bela quanto uma flor.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ai, Rico, admiro muito essa sua cordialidade. Mas será que mereço tanto?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Merece sim. Você merece tudo.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Assim você me deixa bamba. Mas você também é culpado por estarmos há tanto tempo sem nos vermos. Por que não entrou em contato?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ah, ficamos tanto tempo sem nos falar que achei que você até já tivesse se esquecido de mim.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Que isso, Rico. Dos amigos de verdade a gente nunca esquece.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então o garçom dirigiu-se à mesa dos dois. Para evitar ter de gastar com ternos, o restaurante da beira da lagoa tinha o costume de contratar apenas pingüins para o cargo. Pois um belo pingüim aproximou-se da mesa dos dois e entregou-lhes os menus. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Façam sua escolha, sem pressa. Assim que tiverem feito sua opção, podem me chamar pelo botão no centro da mesa. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ofélia e Enrico interromperam, então, o assunto anterior. Os dois passaram a olhar atentamente cada opção de prato do local, com vistas a fazer a melhor das opções.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— O que você me recomendaria, Ofélia? Nunca estive aqui antes. Você com certeza conhece melhor os pratos do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não acredito que você nunca esteve aqui! A comida é ótima! Venho sempre que posso.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Gente fina é outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ah, que isso, Rico. Você é muito mais elegante que eu. Sou uma simples mortal, apaixonada por saladas.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para que a situação não ficasse esquisita antes mesmo do prato principal, Enrico optou por desviar-se do assunto. Aquela sucessão de elogios não estava normal. Enrico era apaixonado por Ofélia há vários anos. E quem pôde esperar tanto tempo para se declarar, podia muito bem aguardar mais um pouco. Então, o ornitorrinco agarrou-se com todas suas forças à cadeira, e antes que o silêncio tornasse-se constrangedor, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas então, alguma sugestão de prato?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ah, a salada de alface daqui é maravilhosa. Tenho certeza que você vai adorar.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Alface? Não sei não. Sou mais agrião, acelga, alfafa. E isso ainda sem sair da letra A!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Alface, não, então? Que tal a saladinha de rúcula com batatas?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Parece interessante. Vem algum acompanhamento?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Sim, todas as saladas vêm com talos de brócolis em separado.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Hm, adoro brócolis. Estou gostando deste lugar. Tanto pelos pratos quanto pela companhia.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ofélia sorriu e arrematou:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Então, duas saladas de rúcula com batatas?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Sim, isso mesmo. Vamos chamar o garçom.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então Enrico pressionou o botão, e antes que pudesse largá-lo, o pingüim-garçom já estava diante deles, pronto para anotar o pedido:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E o que vai ser, então?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ofélia fez o pedido. Enrico solicitou também dois copos d'água, mas pediu expressamente que eles viessem apenas quando chegasse a salada. Ele odiava o costume de certos restaurantes de servir a bebida antes da refeição, de modo que, quando esta chega, ou o refresco já não está mais gelado, ou o cliente já terminou de tomar e se vê forçado a pedir outra rodada de bebidas.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas, então, você ainda não me disse o motivo para ter me convidado para este jantar.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ai, Rico. Estou apaixonada! Encontrei o amor da minha vida! Precisava contar isso para você.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Numa tentativa pouco convincente de conter o espanto, Enrico prontamente perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E ele já sabe? É recíproca a coisa?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não sei. Acho que sim.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ainda tentando conter a indignação, o ornitorrinco prosseguiu:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Como não sabe?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Sempre que me aproximo, ele late duas vezes, dá três pulinhos e senta. Se isso não é amor, não sei o que pode ser!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já incapaz de disfarçar, Enrico declara:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eu tinha uma idéia totalmente errada do motivo deste jantar. Estou arrasado. Você não gosta de mim?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Sim, gosto de você. Rico, eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Pois então, por que prefere uma bola de pêlos a mim?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Rico, sempre gostei de ti como a um irmão. Achei que você soubesse disso.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— No início eu também te considerava apenas uma amiga. Mas com o tempo a coisa mudou. A gente não é mais criança!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não fique nervosinho. Tenho certeza que há um monte de garotas que dariam tudo para sair com você.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não me venha com essa conversa. Você sabe que ninguém me quer. Quem vai me querer com esse bico de pato, essas nadadeiras, e esse veneno no rabo?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Pois para mim esse seu bico é justamente o seu maior charme. Diga-me, que outro mamífero tem um bico tão sexy quanto o seu?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Será? Sempre me achei tão caidinho.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Enrico, não diga isso. Você é o máximo! Qualquer uma ficaria caidinha por você.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas aí é que está. Eu não quero qualquer uma. Eu quero você!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Quem ouve você falando assim até pensa que está falando sério. Você daria um ótimo político, pela maneira com que manipula a verdade. Mas diga, você não tem ninguém em vista?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Fora você, não. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ai, Rico, você me mata com esse seu senso de humor!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Por que ninguém me leva a sério? Bom, e essa comida que não chega?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eles não costumam demorar muito aqui neste restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Tomara. Não consigo ficar muito tempo longe da água.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Nem esquenta. Em seguida a comida chega.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Está bem. Enquanto isso, conte-me mais sobre o rapaz que roubou seu coração. Qual é o nome dele? Eu o conheço?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eu chamo ele de Fofinho. Sabe como é, ainda não tivemos uma oportunidade de conversar, assim, a sós.  Ele é todo branco, com o pêlo encaracolado, e tem olhos azuis. Talvez você possa conhecê-lo ainda hoje, convidei-o para vir aqui. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E o que ele disse?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Latiu duas vezes, deu três pulinhos e sentou. Mas ainda tenho esperanças de que venha. Sabe como é, homens. Vai entender o que passa na cabeça deles!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas e você já comentou com ele suas reais intenções? Às vezes também é difícil para nós homens percebermos o que se passa na cabeça de uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Interessante você mencionar isso. Talvez possa me ajudar a desvendar a mente do Fofinho. Semana passada, cansada de esperar alguma atitude dele, resolvi falar tudo o que sentia, abrir meu coração. Mas estranhei sua reação. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— O que ele disse?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Nada. Latiu duas vezes, deu três pulinhos, e sentou.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Esse cara é muito estranho. Mas vai ver essa é sua maneira de demonstrar que também sente algo por você. Se não estivesse interessado, garanto que não daria os três pulinhos.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— É, é verdade. Olha, o garçom está vindo na nossa direção. Acho que nosso prato está chegando. Hmm. Estou com muita fome. Faz tempo que não como folhas tão chiques. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ah, finalmente. Já estava desacreditando no serviço deste restaurante. Sempre me falaram tão bem. Não achei que fossem demorar tanto para servir.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não esquenta. É só você dar uma garfada nessa saladinha que num instante esquece o tanto que teve de esperar por ela. Eu te asseguro isso.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Hm, tomara.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E os dois então saborearam um delicioso prato de salada de rúcula com batatas, acompanhado de uma porção generosa de talos de brócolis. Enquanto comiam, Enrico não conseguia parar de pensar em Ofélia. Ele a amava, desde muito tempo. Mas fora incapaz de contar-lhe antes, e perdera a oportunidade de tê-la em seus braços. Agora era tarde. Mas Enrico não desanimou.  Ele estava decidido a lutar. Com certeza em pouco tempo ela esqueceria o maldito poodle de pelúcia do filho do pastor de ovelhas e teria olhos para ele. Enrico conhecia bem Ofélia. Ele sabia que ela era dada a romances passageiros, paixões efêmeras, e amores impossíveis. Era questão de tempo para ela esquecer o tal do Fofinho. E aí sim, Enrico poderia abusar de suas investidas para com Ofélia. Ele até já planejava as vezes em que a convidaria para jantar ali, no restaurante da beira da lagoa. Aquele lugar parecia-lhe bacana.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enquanto isso, Ofélia só pensava no seu amor. O Poodle era tão lindo, era tão fofo, era tão querido, tão meigo. Por que ele não apareceu ali? Por que ele não olhava para ela? Por que, sempre que se aproximasse e dissesse algo, Fofinho simplesmente latia duas vezes, pulava três vezes, e sentava? O que aquilo queria dizer? &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Apesar do apetite voraz (era capaz de comer o equivalente a seu peso de uma só vez se fosse preciso), antes de cada refeição Enrico realizava um ritual meio maluco: pegava o alimento que estava prestes a ingerir, batia uma de suas extremidades três vezes no chão (para certificar-se de que não era oco), virava da esquerda para direita, de cima para baixo, e de uma face a outra, e só depois de todos esses atos concluídos é que Rico saboreava qualquer alimento. E, para ele, tudo isso era coisa séria. Ai de quem debochasse. Sempre que por excesso de fome ou por preguiça ele deixasse de fazê-lo, punia-se de forma violenta, dando bicadas em seu próprio rabo. Ofélia já estava acostumada com isso tudo, sabia que o amigo sofria de transtorno obsessivo-compulsivo, e tinha ciência de que o tratamento havia sido falho. Mas os demais animaizinhos que jantavam no restaurante acharam tudo muito estranho. Ainda bem que Enrico era meio abobalhado para essas coisas, não percebia quando os outros o olhavam, nem sabia o que pensavam dele. Naquele momento, ele só tinha olhos, ouvidos e pensamentos para Ofélia. E, embora tentasse disfarçar, todos percebiam o quanto ele admirava ela mais que a uma amiga. A única incapaz de perceber isso era justamente Ofélia, pois seus pensamentos estavam no Poodle. Ia ser difícil fazer esse triângulo aberto transformar-se numa linha reta. Um romance entre os dois era praticamente impossível. Ofélia via e sempre veria Enrico como um amigo, nada mais que um amigo. Talvez um irmão: Enrico era exatamente isso para Ofélia; era como o irmão, que ela nunca teve.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;i&gt;* to be continued... :P&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113462161479985808?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113462161479985808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113462161479985808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113462161479985808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113462161479985808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/ovelha-e-o-ornitorrinco.html' title='A ovelha e o ornitorrinco'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113453565380993188</id><published>2005-12-14T02:45:00.000-02:00</published><updated>2007-11-29T14:35:17.355-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>O pato Renato</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Renato era um pato meio esquisito. Ele vivia em um lago no meio do parquinho infantil, cercado de falsa natureza por todos os lados (e de grandes prédios cinzas de concreto pelos ares).  Sua plumagem era branca, mas estava meio amarelada pela ação do tempo, e por conta das fumaças de grande cidade, com as quais era obrigado a conviver todo dia. Um de seus maiores traumas era nunca ter aprendido a fazer Quack-quack (limitava-se a um disforme "queek queek", meio que uma mistura de uma porta de geladeira velha rangendo e um pato em apuros), e seus olhos grandes e curiosos pareciam que a qualquer momento saltar-lhe-iam da órbita. Ele também tinha um estranho penacho branco na cabeça, que balançava toda vez que se mexia, o que lhe conferia um certo ar solene, apesar da informalidade do lago.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como o lago era público, e freqüentado por toda sorte de animais (de insossos peixinhos dourados abandonados por seus donos insensíveis a estranhos humanos que abandonam seus peixes — o parquinho estava sempre cheio de crianças moradoras nos prédios dos arredores, e sabe-se lá onde esses monstrinhos punham suas mãos!), Renato vivia com medo de contrair alguma doença. Por isso, ele basicamente passava o dia inteiro na margem do lago, e evitava avançar e arriscar pôr em risco a sua saúde já bastante debilitada. Às vezes ele se entediava por não fazer nada o dia todo, e dava pequenas voltas, mas nunca ia muito longe, pois em seguida encontrava alguma partícula não-identificada boiando na água e fugia em disparada.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Numa tarde particularmente ensolarada (embora fosse difícil ver o sol, com tantas folhas falsas e prédios bem altos obstruindo a vista), Renato passeava pelo lago, meio sem rumo, e avistou, com sua vista bastante acurada, uma linda pata amarela na outra extremidade da água. Aproximando-se, meio receoso e bastante atrapalhado, Renato percebeu que ela era consideravelmente menor que ele, mas isso não parecia ser problema, pois a pata era perfeita, e linda. Então Renato passou a fazer uma série de besteiras que os apaixonados fazem quando querem chamar a atenção, para ver se a pata o notava. Entretanto, ela não reagia. Pelo contrário, sequer se mexeu quando Renato começou a fazer as mais doidas piruetas na superfície da água. Também pudera — a pata avistada por Renato era uma pata de borracha!&lt;br&gt;&lt;br /&gt; &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando retornava pelo mesmo caminho pelo qual veio — Renato vivia uma vida toda metódica, cheia de peculiaridades que precisavam ser seguidas, para evitar que contraísse alguma doença (num laguinho público? Eram muitas as ameaças à saúde que poderiam ser encontradas!) —, Renato esbarrou numa carteira de cigarro, abandonada por algum humano inescrupuloso bem no meio do lago, com a fotinho virada para cima. Ao vê-la, Renato acreditou que também tinha câncer de pulmão, e entrou em pânico. Só muito tempo depois, e com muito esforço, foi convencido pelos demais patos de que ele não tinha sequer um pulmão humano, quanto mais um câncer nele. Seus amigos diziam que, desse jeito, com tanta frescura, dificilmente ele ia encontrar uma namorada. Quem iria querer ficar ao lado de um pato todo metódico e com hipocondria? Mas ele ignorava as advertências dos demais. Na verdade, ele estava tranqüilo: já não tinha ouvidos para os outros desde que conhecera a pata amarela do outro lado do lago. Só que ele não sabia que o romance era meio impraticável, já que eles pertenciam a diferentes classes de patos — ela, era da classe dos inanimados; ele, da ordem dos anseriformes. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em pouco tempo, a vida do pato mudou. Enquanto não obtivesse resposta de seu amor (tanto negativa como positiva) Renato vivia a cruzar o lago, dia e noite. E, indo de uma extremidade à outra, expunha-se a diversos perigos de contágio de doença. Ora se preocupava por ser fumante passivo ao ouvir algum comentário de humano na beira do lago e sentir a aproximação da fumaça, ora seu medo recaía sobre alguma folha seca que despencava de algum galho sobre a água (pois a árvore da qual ela se desprendera podia muito bem estar contaminada!). &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;À medida que a paixão de Renato pela pata de borracha aumentava, também crescia seu medo de pegar alguma doença. Não demorou muito para que ficasse meio paranóico. Seu medo de contrair doenças era tanto, que ele passou a se mover cada vez menos — e se ele pegasse a gripe do frango? E se ele morresse afogado? O ar poderia estar contaminado. A própria água era uma ameaça, mas Renato não podia parar de respirar ou deixar de tocar o solo. Queria aprender a voar, para não entrar em contato com a terra ou com a água. Mas pesquisou no Google e descobriu que a &lt;a href=http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;q=n%C3%ADvel+de+impurezas+no+ar+das+grandes+cidades&amp;meta=&gt;quantidade de impurezas no ar era absurda&lt;/a&gt;. Aí ele não sabia o que fazer e simplesmente ficou parado. Parou de respirar. Não mais se mexeu. E hoje em dia ele é um pato de borracha (parado, imóvel, sem respirar). O ruim é que ele nunca pôde conquistar o amor da pata de borracha, mesmo agora que também é feito do mesmo material. Mas eles vivem felizes, um ao lado do outro, como Renato queria, sem no entanto terem a capacidade, inerente aos seres vivos,  de poderem se virar e se olhar — e de se amar (existe coisa mais viva que o amor?).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113453565380993188?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113453565380993188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113453565380993188&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113453565380993188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113453565380993188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/o-pato-renato.html' title='O pato Renato'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113435259172591619</id><published>2005-12-11T23:51:00.000-02:00</published><updated>2007-11-29T14:35:21.232-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>Firula, uma grande hipopótama</title><content type='html'>&lt;i&gt;[atenção: este texto ainda precisa de ajustes :P]&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Firula era uma hipopótama como as demais: meio cinza, meio rósea, e bastante pesada. Ela tinha um sorriso largo e vivia semi-submersa nas águas rasas de um lago da floresta. Para qualquer lado que olhasse, só encontrava hipopótamos. Sua vida também era típica de um ser de sua espécie: deslocava-se em bando, alimentava-se de plantas, e no resto do dia ficava de bobeira no lago, com o corpo metade mergulhado n'água, metade saltando pra fora (sua vida, basicamente, resumia-se a se fingir de pedra). Como uma rotina dessas não só parecia como era de fato bastante tediosa, Firula precisava encontrar maneiras de superar o tédio do dia-a-dia. E foi numa dessas tentativas de encontrar o que fazer que a hipopótama acabou se tornando obcecada pela boa forma.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Assim, enquanto os outros hipopótamos vivam a comer e a descansar, Firula não perdia uma oportunidade de fazer ginástica. Algumas vezes, ela corria de um lado a outro do lago, com as patas submersas. Em outras situações, aproveitava o tempo livre para nadar. Isso quando ela não decidia praticar hidroginástica no meio do lago — e provocava situações hilárias, pois seus saltos aquáticos, mal-calculados e desengonçados, espirravam água para todos os lados, vindo a atrapalhar a soneca dos demais. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No início, Firula até comia tal qual os demais hipopótamos; entretanto, assim que terminava de ingerir algum alimento, ela metia a larga pata achatada dentro da boca gigante e forçava que seu organismo expelisse tudo de volta.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O grande problema é que o padrão de beleza dos hipopótamos constitui-se justamente em ser gordinho. Hipopótamos são grandes, por natureza. Firula queria usar o padrão de peso de outros animais; queria ter um corpo sarado como aqueles dos animaizinhos mostrados pela mídia.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E assim instalou-se em Firula um verdadeiro "complexo de Barbie", que se manifestava principalmente de duas formas: ora comia desesperadamente, o que gerava nela um grande sentimento de culpa, seguido de uma verdadeira indução de vômito (bulimia); ora comia direitinho, fazia exercícios obstinadamente, e, ao se olhar no espelho, por mais que tivesse perdido peso, se sentia enormemente gorda (e qual hipopótamo não é?) — em um claro sinal de anorexia. E assim, oscilando entre os dois pontos, Firula tornava-se cada vez mais obcecada pela própria imagem. Ou melhor, tornara-se a eterna perseguidora de uma imagem ideal que só existia em sua mente, e, quanto mais dela se aproximasse, mais longe de atingi-la estaria. Chegar ao peso que consideraria ideal era, de fato, técnica e paradoxalmente impossível: quanto mais Firula emagrecia, mais lamentava-se e cria estar acima do peso.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Durante muito tempo, tudo o que Firula fazia, pensava ou comia era imediatamente associado com a idéia de perder peso. Ela se sentia gorda o tempo todo, e seu objetivo era emagrecer, não importasse o quanto sofresse com isso. Em pouco tempo, foi simplesmente parando de comer, ficando obcecada com dietas e alimentação saudável, pois simplesmente se achava gorda demais quando se via no espelho. Depois de tudo isso, é claro, finalmente chegou o dia em que Firula enfim apaixonou-se pela própria imagem refletida em um espelho, ao ponto de tal excesso de amor próprio transformar-se em narcisismo. Para manter o peso atingido, que considerava o ideal (embora muito abaixo do normal), Firula simplesmente parou de comer. Mas cada vez que deixava de ingerir novos alimentos, seu organismo reclamava a falta de nutrientes essenciais. Ela ignorava os sinais, até que algum tempo depois foi impossível resistir e Firula desmaiou. Não fosse a prontidão de Marcos, o macaco (que passava por ali por acaso, é claro), não teria tido condições de chegar até o hospital e morreria asfixiada (ou afogada — o que acontecesse primeiro). Ele achou estranho ver uma hipopótama de barriga para cima no lago, e resolveu verificar o que tinha ocorrido.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Firula tentou questionar os padrões de beleza da sociedade moderna impostos pela mídia. Mas acabou sofrendo de uma profunda anorexia, que levou meses e meses para ser tratada, e por muito tempo ainda manifestou seqüelas. Mas ela finalmente aprendeu, às custas de muito sofrimento, que todo excesso, nos cuidados com o corpo, ou em qualquer aspecto da vida, quando transcende os limites do racional e foge aos padrões normais de comportamento, acaba por ser prejudicial.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113435259172591619?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113435259172591619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113435259172591619&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113435259172591619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113435259172591619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/firula-uma-grande-hipoptama.html' title='Firula, uma grande hipopótama'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113418812874914881</id><published>2005-12-10T02:00:00.000-02:00</published><updated>2007-01-25T02:04:39.358-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>Léo, o leão</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Léo era um leão valente, esperto e sagaz. Com seu porte atlético e garras afiadas, conquistava o coração de diversas mocinhas ao longo da floresta, que se derretiam ao vê-lo passar. Ao menor sinal de perigo, bradava, com sua voz firme e segura:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eu sou o Leão, o Rei da Floresta... Roarrrrr!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(Note-se que as palavras já saíam de sua boca com as inicias maiúsculas!).&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era só pintar um inimigo que Léo, prontamente, estufava o peito, abanava as jubas, e partia para o ataque. Ou ao menos era isso o que ele parecia fazer...&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Johnny era um gambazinho esmirradinho, baixinho, que usava óculos e tinha uma cômica voz rouca. Seu corpo era percorrido por duas listras brancas de pêlo, que lhe conferiam um ar de uniforme da Adidas. Mas apesar da aparente fragilidade, Johnny era um animalzinho que cumpria uma missão fundamental para a manutenção da vida na floresta: era ele quem zelava pela imagem de malvado do leão. Ele era o guardião do mito de que o leão tem de ser feroz. Léo, na verdade, era tremendamente medroso, e precisava que seu fiel escudeiro o protegesse nas situações de perigo. Assim, o que acontecia de verdade era que, na menor dificuldade, Léo fugia, mas Johnny corria atrás dele e o obrigava a agir, mesmo que para isso fosse obrigado a administrar-lhe pílulas contra a insegurança. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Léo tinha síndrome do pânico, e o maior medo de quem a tem é justamente o medo de sentir medo. Isso fazia com que às vezes ele não tivesse sequer coragem de sair de sua toca! Era preciso, então, que tomasse remédios para vencer a covardia. E assim surgia a imagem de um leão falso, movido à base de psicóticos dos mais variados tipos. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nessas condições, o leão e seu fiel escudeiro percorriam a floresta para demarcar território. Léo, tal qual a mulher de César, só precisava parecer malvado, e a ordem da floresta estaria mantida. O problema ficava incontornável mesmo quando Léo se via diante de um ratinho, seu segundo maior medo:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Aaaah! Um ratooo!! Socorro!!!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E não tinha milagre, remédio, ou conselho de Johnny que o fizesse voltar e enfrentar o "perigo". Isso era arriscado, pois algum dia algum animalzinho poderia ver a cena, e a imagem de feracidade do leão estaria ameaçada. Era preciso tomar providências, mas Johnny não sabia por onde começar... &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um dia, Léo conheceu Lia, a leoa viúva. E, diante daquela fêmea de fibra, Léo sentiu pela primeira vez a necessidade provar que era valente: para Lia, não bastava que parecesse feroz, era preciso ter coragem de verdade. Conquistar o coração dessa leoa forte, que defendia com garras e dentes sua cria desde a morte do marido, o antigo rei, numa emboscada na floresta vizinha, não seria tarefa fácil!&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na vez seguinte em que encontrou com um ratinho, Léo estava sozinho, mas mesmo assim tratou de encarar seu medo — por Lia. Ao mesmo tempo que seu coração dizia: "Fuja! É um rato! Um asqueroso rato!!", sua consciência exigia que tomasse providências. Era como uma daquelas clássicas cenas de desenho animado, em que um anjinho à direita e um diabinho à esquerda confabulam cada um a seu turno na tentativa de convencê-lo de que o melhor caminho é o bem ou o mal. E então Léo deixou o anjinho vencer, e reuniu todas as forças possíveis para aquela situação:&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Miaaaauuuu.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Com o mugido fracassado, o ratinho caiu na gargalhada. Ele rolava de rir no chão. Léo ficou furioso e quis tirar satisfações. Quem era aquele que ousava insultar o leão? O ratinho se apresentou, e foi bastante simpático. Conversa vai, conversa vem, os dois descobriram que tinham nascido nas mesmas redondezas, e que tinham bastante coisas em comum. Tornaram-se grandes amigos. Aí o leão falou de suas inquietações, o ratinho respondeu dizendo que ele não tinha que se preocupar, pois os ratos eram animais inofensivos, e blá blá blá.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois então, quem diria, o leão acabou encarando seus maiores medos (o medo de que tinha medo, e o medo de ratos), e descobriu que era possível continuar sendo respeitado mesmo tratando os demais animais como amigos. Ele percebeu que podia ser ele mesmo, sem a necessidade de ser arrogante e petulante o tempo todo; sem precisar mentir. Virou amigo de todos, e todos o respeitavam porque ele era bom. Não tinha mais vergonha de confessar seus medos, e passou a viver num reino onde transparência era a palavra-chave. Tudo parecia perfeito, afinal.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Entretanto, é claro, a leoa viúva não quis saber dele: um leão que, ao invés de lutar, negociava a paz? Ah, fala sério!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113418812874914881?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113418812874914881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113418812874914881&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113418812874914881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113418812874914881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/lo-o-leo.html' title='Léo, o leão'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113418669670758897</id><published>2005-12-10T01:48:00.000-02:00</published><updated>2007-01-25T02:04:51.214-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>O flamingo diferente</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nas águas pantanosas de um lago qualquer de uma ilha perdida no meio do Oceano Pacífico vivia Fred, um rapaz meio retraído, bastante tímido, e com tendências à introversão. Na verdade, Fred era um flamingo autista, que vivia fechado em si mesmo, em um mundo próprio, onde as coisas adquiriam significações peculiares. O motivo de tamanha retração devia-se ao fato de que Fred era um pouco diferente dos demais: enquanto seus companheiros era todos brancos ou rosa (conforme a intensidade e a qualidade de suas plumagens), Fred era completamente verde.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como se não bastasse o fato já suficientemente embaraçoso de ser gago, Fred ainda precisava conviver com as piadinhas de mau gosto dos outros. Como uma forma de defesa, ele se fechava cada vez mais em si mesmo.  Mas mesmo assim a opinião alheia ainda lhe atingia de certa forma (impossível mostrar-se indiferente à existência dos demais!). Ele vivia num constante sentimento de inferioridade, provocado pelas insinuações traiçoeiras de que era seguidamente alvo. Com o tempo, passou simplesmente a negar todos em bloco, e a se afastar das pessoas. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até que um dia o flamingo se apaixonou por um gerador de energia eólica solitário, estrategicamente posicionado ao lado do lago onde vivia. De início, Fred mostrou-se tímido, e tinha vergonha até de olhar para a turbina. Mas dentro de si borbulhava uma fervente paixão. Fred achava bastante sexy o murmurinho abafado emitido pelas pás de vento. Mas era só ele se pôr a pensar na turbina que algum peixe engraçadinho saltava no lago e exclamava:&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ei, Fred, não está maduro ainda!? — E todo o lago caía na gargalhada.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Num instante, toda a confiança em si mesmo que vinha reunindo com seus pensamentos amorosos se esvaía... E ele voltava a ter pensamentos negativistas. Nessas horas, ele desejava conhecer Alice, para poder escapar para um mundo onde o absurdo fosse o normal, a exceção a regra, o particular o geral. Mas como nem só de induções era feita a vida, era preciso voltar e encarar o mundo real, e uma grande válvula de escape encontrada por Fred era pensar nas lindas pás de seu grande amor.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em um dia particularmente tranqüilo, Fred tomou coragem de convidar o gerador para sair. Não obteve resposta (só "uma dura e fria indiferença", como descreveu em seu diário imaginário na ocasião) e se sentiu profundamente amargurado. Inicialmente, colocou a culpa da rejeição na diferença de altura entre os dois. E sentiu-se baixinho, ridiculamente baixinho. Depois percebeu que talvez a turbina, que parecia tão diferente, fosse de fato igual aos demais, e não merecesse sua (com)paixão. Ele sofria de amor. Durante dias, Fred olhava para a turbina e esforçava-se por sentir ódio (mas e o que é o ódio, senão uma forma invertida e absurda de amor?).&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fred não tinha com quem conversar. Os outros flamingos o excluíam porque ele era diferente — "o esquisitão do lago", diziam. E então Fred travava longos discursos com sua própria consciência, como uma forma de suprir todos os diálogos acalorados que nunca teve. Ele também criava amigos imaginários, conforme a conveniência. Quase todos eram flamingos como ele, mas de cores diferentes, e que o achavam "descolado" por ser verde.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em seu mundo, o flamingo verde seguia sendo diferente dos demais, mas era um diferente bom, difícil de explicar. Ele se sentia único, especial, diferente de no mundo real, no qual ele era constantemente zoado pela aparência por animaizinhos superficiais, incapazes de ir além do que está diante de suas vistas; incapazes de perceber que ali dentro, apesar da carcaça verde desengonçada, havia um cara sensível, um cara legal... Bastaria uma oportunidade!&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Às vezes Fred desejava ser um avestruz, para poder enterrar a cabeça na água e ficar com ela por lá, indefinidamente, sem sentir a necessidade de respirar; em outras oportunidades, desejava que tivesse a capa de invisibilidade de Harry Potter, para simplesmente poder viver sem ser incomodado (antes ser transparente do que verde — mas o importante para ele era o &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt;). Para esse flamingo simples, bastava que estivesse vivo para ser feliz. Prova disso é que Fred sonhava com um mundo em que todos os flamingos fossem coloridos, de todas as cores do círculo de Newton (se ele não gostasse de si mesmo, sonharia simplesmente em ser rosa). Mas ele preferia que o mundo melhorasse, que as pessoas mudassem, e que o preconceito acabasse. Ele era esperto o suficiente para saber que o problema não estava nele, e sim nos demais.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um dia, cansado de sua vida patética e infeliz, Fred tomou coragem e abordou sua paixão impossível outra vez. Não obteve resposta, mas estava disposto a arriscar. Reuniu forças sabe-se lá de onde, e partiu para cima da turbina: queria possuí-la à força; necessitava de amor. Agarrou-se a seu amor em movimento. Por alguns instantes, ele e as pás se confundiram, numa psicodélica mistura de verde desbotado com branco metálico. Vermelho, verde e branco. Vermelho, muito vermelho. Sangue. Respingos de sangue por todo o lago: Fred morreu enquanto girava nas pás eólicas — frenético de amor, até o último suspiro. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ao menos uma ilusão ele fora capaz de manter a vida toda... Morrera pela crença na possibilidade de um mundo melhor. E ninguém imaginaria que, afora todas as questões já consagradas do &lt;a href=http://www.unificado.com.br/fisica/energia_eolica.htm&gt;impacto ambiental da energia eólica&lt;/a&gt;, ela ainda fosse provocar o suicídio passional de um flamingo autista...&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;* postado originalmente em &lt;a href=http://gabrielaz.blogspot.com&gt;http://gabrielaz.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113418669670758897?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113418669670758897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113418669670758897&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113418669670758897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113418669670758897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/o-flamingo-diferente.html' title='O flamingo diferente'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17252388.post-113418626780384802</id><published>2005-12-10T01:39:00.000-02:00</published><updated>2007-01-25T02:05:24.121-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animaizinhos toscos'/><title type='text'>Tadeu, o tamanduá</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tadeu era um rapazote desengonçado. Ele tinha um corpo alongado, porém seus braços e pernas eram muito curtos, e contrastavam com o esquisito lombo gordo e esticado. Seus olhos eram cor-de-mel, e brilhavam sem cessar. Sua pele era de um tom incerto, entre o terra e o acizentado. Já não tinha mais dentes, e sua boca era grande e afunilada. Tadeu era um tamanduá, embora quase sempre lhe faltasse consciência disso.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Às vezes Tadeu acordava, via o sol brilhando lá no alto, e pensava que ele mesmo fosse sol. E então saía a pular pela floresta, com seus braços e tromba estendidos, inutilmente tentando copiar o esplendor inimitável dos raios solares. Se passasse por um lago, via seu reflexo na água, e logo deixava de ser sol. Mas antes que pudesse assumir sua identidade tamanduá, Tadeu via uma pedra, achava que a pedra era ele e que ele era a pedra, e ficava imóvel o resto do dia na beira do lago, até que alguma boa alma passasse por ali e desfizesse o equívoco. E assim eram seus dias, com a variante de que às vezes acordava sentindo-se nuvem (para o caso de dias nublados), e não raras vezes sentia-se chuva (embora tivesse um instinto de sobrevivência aguçado e  levasse pouco tempo para perceber que não deveria se jogar precipício abaixo). &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lili, por sua vez, era uma jovem como todas as outras: tinha lábios carnudos e perigosos, um corpo escultural, com cinturinha fininha, bumbum arrebitado e nariz empinado. Para preservar um corpo desses, Lili vivia de dieta, e por isso só comia alimentos naturais ("tudo em nome de uma vida saudável", dizia). Ela adorava passar batom vermelho em seus lábios bifurcados, e até pareceria uma adolescente normal, exceto pelo fato de que era uma formiga — e uma formiga adolescente bastante sonhadora.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lili era apaixonada por Tadeu. Não bastasse a impossibilidade metafísica de um romance entre os dois (a donzela e seu predador natural), havia também uma enorme diferença de tamanhos (sem falar na inquestionável incompatibilidade de gênios). Mas como toda garota apaixonada, ela não percebia os defeitos, e só tinha olhos para as qualidades de seu amor. Tadeu gostava da natureza, como ela. Ele era meio desengonçado, como ela. Ele gostava de cavar buracos, como ela. O que poderia dar errado? Lili achava meigo o jeitinho meio perdidão de Tadeu, e adorava quando o encontrava parado no bosque, fingindo ser o pasto ou uma árvore. Assim ela podia observá-lo por inteiro, e admirar sua beleza sem ser incomodada. Ela odiava o fato de que seus semelhantes não passassem de uma mera aglomeração de três bolinhas de massa corpórea, enquanto que Tadeu era aquele ser maravilhoso, de corpo íntegro e contínuo. Ela contava para as amigas de seus delírios juvenis, e todas suspiravam em uníssono. Como são patéticas as jovens apaixonadas!&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois, bem, tudo começou quando Lili, a formiga operária, e Tadeu, o tamanduá &lt;i&gt;sui generis&lt;/i&gt;, viram-se pela primeira vez (sim, fora amor à primeira vista!). Um dia, ao ver uma formiga (Lili, Lili!), Tadeu achou que fosse uma delas, e tentou entrar no formigueiro. O resultado foi catastrófico, pois aqueles que não foram esmagados pelas patas do desastrado tamanduá, morreram pisoteados na hora em que todas as formigas tentaram fugir ao mesmo tempo, em pânico, com medo de serem devoradas (nem todos sabiam que Tadeu era tantã). E ainda teve uma meia dúzia que se suicidou: antes a morte digna, que morrer nas garras (na tromba) de um horripilante predador. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas Lili achou tudo isso muito "fofo", e, desde então, suspirava pelos cantos. Toda vez que via Tadeu, ora se fingido de ponte, ora agindo como um leão, a menina percebia que era com aquele tonto mesmo que queria passar todos os dias de sua vida.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lili começou, então, a seguir os passos de Tadeu, na esperança de que um dia ele a notasse (novamente). Ela nem se importava com a possibilidade de Tadeu confundir-se com ela: o que importava era que percebesse a sua existência. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em uma de suas andanças, Lili encontrou Waltz, o feiticeiro da floresta. Ele era um esquilo senil, mas muito esperto, que detinha conhecimentos de feitiçaria suficientes para transformar qualquer um no que quer que fosse. Muitos consideravam sua existência um verdadeiro mito, pois ninguém nunca o vira — ou então quem o encontrasse tratava muito bem de esconder o fato. Lili aproveitou a oportunidade para pedir alguns conselhos. Pediu ao sábio Waltz, o qual andava com o auxílio de uma bengala e usava pesados óculos de grau, que tornasse possível seu amor com o tamanduá. O esquilo pensou um pouco, coçou a cabeça, deu três ciscadas no chão, abriu uma noz que tinha no bolso e a saboreou tranqüilamente. Lili percebeu que ele tinha memória curta, e precisou repetir umas cem vezes o que queria, até que Waltz tomasse alguma providência. Foi preciso ter paciência com aquele velhote. Mas, por fim, Lili conseguiu o que queria: Waltz providenciou-lhe uma pílula de encolhimento, que dizia ser capaz de reduzir qualquer indivíduo ao mínimo de compactação possível, sem que perdesse sua essência. A formiga acreditou nas palavras do sábio, não tanto por ele ser quem fosse, mas pelo fato de que tudo aquilo estava escrito em um pesado livro empoeirado — o que reduzia os riscos de ser um mero devaneio de um velho gagá. Lili não ia arriscar ter de carregar uma rodela branca vinte vezes mais pesada que ela, para no fim descobrir que não surtiria efeito algum. Sua jovialidade impaciente exigia a certeza de que tudo daria certo. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Com muita dificuldade, Lili conseguiu chegar em casa antes do anoitecer. Como o tamanduá morava não muito longe dali, contou com a ajuda de algumas de suas fiéis amigas para transportar o comprimido até a toca de Tadeu, que, felizmente, já se encontrava dormindo. Elas depositaram cuidadosamente a mercadoria próxima de sua tromba, e se retiraram em silêncio (embora a vontade de Lili fosse a de permanecer ali, indefinidamente, a admirar a beleza do tamanduá). No dia seguinte, Tadeu acordou e a primeira coisa que viu foi o comprimido. Acreditou ser o comprimido, e enrolou-se o tanto quanto pôde. Marcos, o macaco amigável, que por acaso passava por ali, resolveu espiar se Tadeu já tinha acordado e presenciou a bizarra cena de um tamanduá contorcionista. Marcos então chamou a atenção do amigo e, ao trazê-lo de volta a si ("você é um tamanduá... vamos! reaja!", apresentando-lhe um espelho que trazia consigo) percebeu a existência do pequenino comprimido branco. Como não soubesse do que se tratava, sugeriu que o amigo o tomasse. E então Tadeu tomou o comprimido, mas não sem antes Marcos ter sofrido para convencê-lo de que Tadeu não era ele, que Marcos era outra pessoa, e que tamanduás não eram macacos, nem macacos, tamanduás. Assim que Marcos foi embora, Tadeu começou a sentir umas pontadas estranhas, algumas dores abdominais, e, em seguida, estava tão pequeno quanto um alfinete de patinhas e tromba. Estava meio transtornado, com a vista embaçada (achou por um momento que ele era de fato um borrão, tentou agir como um, mas não recordava como um borrão devia ser e voltou a ser tamanduá... mas daí já era tarde, pois naquele momento ele podia ser tudo, menos um tamanduá!). De volta a sua natureza tamanduá, decidiu-se por perseguir formigas. Andou, andou, e acabou chegando ao formigueiro. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enfim, Tadeu, o tamanduá, ficou do tamanho de uma formiga — e desde então ele é a formiga mais estranha do formigueiro. Lili achou sem graça tê-lo do seu tamanho, e se apaixonou pela força e garra de Léo, o leão (uma jovem necessita de amores impossíveis!). Tadeu, que desde a ingestão do comprimido mágico só enxerga formigas, crê fielmente ser uma delas. E ninguém consegue tirar essa certeza de sua cabeça... (ou da delas...). &lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;---&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;[inspirado no personagem Gurdulu de &lt;i&gt;O cavaleiro inexistente&lt;/i&gt; :P]&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;* postado originalmente em &lt;a href=http://gabrielaz.blogspot.com&gt;http://gabrielaz.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17252388-113418626780384802?l=animaizinhostoscos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/feeds/113418626780384802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17252388&amp;postID=113418626780384802&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113418626780384802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17252388/posts/default/113418626780384802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://animaizinhostoscos.blogspot.com/2005/12/tadeu-o-tamandu.html' title='Tadeu, o tamanduá'/><author><name>Gabriela Zago</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01748879801240924250</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/1946/28/1600/ah.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
